segunda-feira, 2 de abril de 2018

Os Cinco Sentidos

Na escola logo cedo aprendemos o que são os cinco sentidos, Visão, Tato, Audição, Olfato e Paladar. Eles são essenciais para nossa sobrevivência, mas no meu ponto de vista, o mais importante é a visão.
Uma pessoa cega desce a rua com uma bengala, vai tateando a calçada para evitar degraus e obstáculos, não sabe o que pode encontrar à sua frente ou já esta tão acostumada que conhece todos os obstáculos pelo caminho. Soube de um caso que a criança era daltônica, não conseguia identificar as cores, é como se estivesse vendo uma TV em branco e preto, e sua mãe se achava culpada, achava que não tinha ensinado as cores para a criança.
Quem perde o paladar perde um dos grandes prazeres da vida, saborear os alimentos que mantém nosso corpo.  A audição muda o comportamento da pessoa, além da dificuldade de comunicação, ela fica limitada em seu mundinho e normalmente fala alto, muito alto, porque não tem noção do volume, isto quem perdeu a audição durante a vida, porque se já nasceu surdo,  normalmente nem aprende a falar. 
Engraçado é que nossa voz, que nós ouvimos, não é a mesma que as pessoas que nos cercam ouvem, o som vibra em nossa caixa craniana modificando os sons. Fala-se que Beethoven quando ficou surdo, colocava um pedaço de madeira na boca e encostava a outra ponta no piano, assim pela vibração identificava as notas e a combinação de sons.
O tato normalmente só perdemos na pontas dos dedos ou em algum lugar específico, ou mais grave quando lesionamos a coluna espinhal.
Um sentido interessante é o olfato, como é gostoso sentir o cheiro da chuva, o cheiro da terra molhada, ou então caminhando a noite pelas ruas sentir o cheiro da Dama da Noite, é muito bom também o cheiro que sentimos perto de uma churrascaria, ou então de uma pizzaria.  O cheiro humano que é exalado pelo calor pode ser muito gostoso, sensual, mas também pode ser ruim quando a pessoa não cuida da higiene.
Quando a gente anda de moto nas ruas sente muitos cheiros que quem anda de carro não sente, cheiro de comida, de carne assada e acredite, no transito, muito cheiro de maconha, as pessoas fumam achando que no carro ninguém vê.
Um ambiente pode até não estar muito limpo, mas quando se coloca um perfume da uma impressão de limpeza, e coisa interessante, um queijo gorgonzola tem um cheiro forte talvez não muito agradável, mas tolerável e desejável para quem aprecia, a mesma coisa é o peixe, um cheiro ruim mas para apreciadores se torna agradável.
Por incrível que pareça, um cheiro que me incomoda mas traz boas recordações é o cheiro da urina em banheiro publico, geralmente lembro de banheiros em postos de gasolina em viagens que faço.
Numa dessas viagens conheci uma famosa fazenda produtora de leite tipo A, onde recepcionado pela veterinária e numa conversa informal comentei que trabalhava em supermercado e minha filha dizia que eu chegava em casa com cheiro de supermercado, aliás um cheiro bem característico, e a veterinária mais que depressa disse que tinha saído com uma amiga e a amiga observou que ela estava com cheiro de vaca!, rimos juntos.
Quando temos um sentido deficiente, automaticamente desenvolvemos e aprimoramos um outro para suprir necessidades, mas um sentido que eu gostaria de ter, e ter bem desenvolvido, é o sexto sentido, uma percepção da vida no dia a dia para tomar decisões, errar menos, evitar pessoas negativas ou que nos causam problemas, para viver melhor e ser mais feliz.
Chamado de "Ajna" ou terceiro olho o sexto chakra situa-se no ponto entre as sombrancelhas e quando bem desenvolvido pode indicar um sensitivo de alto grau.





segunda-feira, 26 de março de 2018

O Amo e o Lacaio

Descem a rua calmamente, um atrás do outro, nunca um ao lado do outro, nunca um conversando com o outro.
O da frente ligeiramente gordinho, com uma calça preta, uma camiseta preta, sapatos pretos e com uma sacola de feira na mão, entra no mercado, o outro, magrinho de barba rala, muito rala, apenas alguns fios, calado, segue atrás e na porta do mercado para e fica esperando seu companheiro, atento como se pudesse ser chamado a qualquer momento.
Não se olham, não se falam, parece existir um imenso abismo entre eles, não se sabe se é cultural ou social.  A impressão é que cada qual sabe seu papel e cada qual cumpre seu papel.
Ambos parecem alienados, o gordinho parece sempre estar bravo, impaciente, sem tolerância com o magrinho, e o magrinho parece muito triste e com medo do gordinho.
Fica-se imaginando que o gordinho é musico por causa da roupa preta, mas pergunta-se onde o magrinho entra nesta estória, qual o seu papel?
Não carregam instrumentos musicais, mas o horário da compra é constante e depois da compra sempre vão na mesma direção.
Enquanto o gordinho faz as compras o magrinho o espera na porta olhando atendo para o vazio, é uma relação muito mecânica e impessoal.  Pode-se pensar que saíram de um castelo para comprar víveres para um nobre qualquer, mas são só especulações, só há uma certeza, um é amo e o outro é lacaio.

domingo, 11 de março de 2018

Mistério

O homem entra no supermercado com um pacote de bombons na mão, pergunta se pode adentrar na loja com os bombons e vai para a seção de vinhos.  Volta para o caixa com os bombons e duas garrafas de vinho. Pergunta-se: o que ele vai fazer? , esta ligeiramente tenso, será que vai encontrar com a  namorada?, será que o vinho e os bombons são artificio para o namoro?, sua camisa esta um pouco amarrotada, será que estava namorando no carro?
Pouco antes tinham  entrado na loja duas freiras rindo, será que as freiras tem algum vinculo com ele? Será que ele é padre e veio comprar vinho para tomar na missa e os bombons eram para presentear as freiras?
As freiras também fizeram compras, será que elas compraram leite condensado? Será que o leite condensado era para um pudim ou para algum fetiche com o homem dos bombons?
Será que o homem dos bombons amarrotou a  camisa na Kombi das freiras?
O homem estava tenso e as freiras sorrindo, será que ele estava sendo coagido por elas?  Será que elas estavam-no obrigando a fazer algo contra seus princípios? , ou estava com medo que não daria conta das duas?
Será que farão algo na igreja ou no convento?, será de dia ou de noite?. Para evitar os barulhos das risadinhas será que vão ligar o som com cantos gregorianos?
Como nunca saberemos o que vai acontecer e não temos coragem de perguntar, só esperamos que não sujem a agua benta, que tomem cuidado com os sinos e que lembrem que o confessionário é muito pequeno e que respeitem o altar.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mãe

Janaina extremamente sensibilizada e fragilizada pela recente perda da mãe queria uma crônica espiritualista.....

Virando as folhas do calendário vejo que já estamos em Março, lembro das chuvas de março que vão fechando o verão, e no fim do mês a Sexta-Feira Santa, dia da crucificação e morte de Cristo no Calvário.  Logo depois em Abril vem a Pascoa que é a ressureição de Jesus, todas estas datas nos levam à reflexão, depois vem Maio com aquele ventinho frio e o tempo cinza e  meu coração  se  aperta em lembrar que vai chegar o dia das mães, e pela primeira vez na vida, não terei minha mãe junto de mim para eu poder abraçar e desejar um feliz Dia das Mães.
Sinto tristeza e remorso, quando lembro que ela me pediu para desentuba-la para poder beber agua, e a médica a levou para dentro e esta foi a ultima vez que a vi com vida.  Se eu tivesse intervido, mas não podia, quando alguém esta sob cuidados médicos não podemos interferir.
Eu queria cuidar dela por toda minha vida, mas Deus quis assim, e só ficou saudade do grande amor da minha vida, minha companheira inseparável, meu exemplo, uma grande guerreira e minha conselheira do dia a dia.
Mas nos resta uma esperança, quando duas almas gêmeas se encontram, isto se repete em outras encarnações, seja como irmãos, mãe e filha, marido e esposa, não importa.  Quando no encontrarmos novamente, não nos lembraremos das vidas passadas, mas quando nos olharmos nos olhos saberemos que somos uma alma gêmea da outra.
Peço a Deus que me de forças para eu criar os meus filhos usando seu exemplo e onde ela estiver com certeza não esquecerá do meu amor e continuará me guiando e me dando forças para que nos meus atos e ações eu honre a sua memória.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O Observador

Todo mundo sonha em escolher a placa do carro com as iniciais do seu nome, alguns são mais caprichosos e ousam mais, é o caso de Agnaldo Timóteo que lacrou sua Mercedes em Timóteo MG somente pata ter seu nome completo na placa.
Alguns escolhem o numero da placa igual ao ano de fabricação do carro, isso fica interessante em veículos antigos, ou então seu ano de nascimento, quando se é jovem, rsrsrs, e outros escolhem letras que combinam com o modelo do seu carro, por exemplo BMW e ECO.
Existem placas que são feias, por exemplo DST,  o que você lembra quando vê esta placa?, ou então DEI, DOU, que a gente vê muito em motos, mas em compensação um motoboy se sente o tal quando sua placa é FUI.
Você quando anda na cidade, não fica vendo as placas de carros e tentando formar palavras? As vezes fica até uma situação engraçada, por exemplo um carro novo, com a placa DKV, que é nome de um carro fora de linha à muitos anos, ou as que foram proibidas mas a gente vê na rua, por exemplo: GAY, CKH e FDP.
Em São Paulo as placas iniciam em BFA 0001 e vão até GKI 9999, mas em algum estado a gente pode ver as placas KCT e PQP.
Você vê uma placa IML, PVC, EXT que lembra extintor, FTB que lembra futebol, e dai por diante. Algumas situações são tristes né?, por isso não me preocupo em escolher placas e sim evitar  placas. 
Hoje as placas já vem com um código de barras para identificar a origem das peças e um lacre rastreável, quem sabe futuramente em vez da placa com números e letras, só terá um grande código de barras que será lido pela fiscalização com equipamento adequado?
Uma coisa é certa, quem pagará por tudo isso somos nós, e para quem tem dificuldade de decorar o número do R.G., então imagina decorar um EAN inteirinho?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Mão

Ele estava com a mão direita no bolso, a esquerda não cabia  porque estava engessada, e na verdade ele se sentia com a mão atada.
O editor tinha encomendado uma crônica sobre a mão, era mais uma das manias do editor, e ele simplesmente tinha apontado este tema por ver a mão do escritor quebrada e engessada. Era angustiante, poderia escrever uma crônica sobre um chefe de estado mão de ferro, mas talvez este assunto não fosse tão interessante nestes tempos modernos de democracia, hoje um chefe de estado assim estaria na contra mão da historia.
Ele olhava pela janela lá embaixo, uma rua estreita de mão única, seu velho carro comprado de segunda mão, e ele precisando tanto de uma ajuda, e ninguém lhe dava uma mão. Caso sua crônica fosse aceita, o pagamento viria a calhar, seria uma mão na roda, mas ele  não tinha uma opinião de terceiros sobre este trabalho, seu editor estava vendo-a em primeira mão.
Ele achava que não ia ser tão difícil, achava que seria bem sucedido, esta ideia o acompanhava há muitos anos, desde que aquela cigana  tinha lido sua mão e feito esta previsão.
Há! se fosse famoso, os editores iriam disputa -lo e comeriam em sua mão.  Lamentável, o editor saiu da sala com a crônica em uma mão e a outra mão no queixo, parecia desconcertado, na verdade recusou a crônica, e o motivo era bem simples, tinha encomendado uma crônica sobre a mão, e a sua não tinha nem pé, nem cabeça.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Homem Da Mala

Entrando no Metrô me sentei em frente de um homem que segurava a alça de uma mala ,e não sei porque a mala me chamou tanto a atenção.
Reparei que todas as pessoas usavam bolsas, sacolas, mochilas, mas aquele homem realmente me despertou curiosidade, não pela pessoa dele, mas sim pela mala.
Pode até parecer infantil, mas imaginei como seria bom ser o Clark Kent, o superhomem, e com a visão raio x poder olhar dentro da mala e ver seu conteúdo.
Olhando bem, pelo seu cavanhaque bem que poderia ser um ventríloquo, e dentro da mala com certeza teria um boneco com o queixo móvel, que sentado  em sua perna falaria muitas coisas engraçadas, inclusive o conteúdo da mala.
Me deu um frio na espinha quando imaginei que o homem poderia ser um criminoso carregando pedaços de um corpo humano na mala, então olhei atentamente se por acaso em algum canto da mala corria um filete de sangue, não, não corria.
Seria um vendedor ambulante? , quando eu era pequeno ainda no interior, um vendedor cortava o dedo com o canivete, para fazer demonstração do Mercurocromo, e imaginem, ele ficava com todos os dedos vermelhos, naquela época que até o Merthiolate ardia muito, não, este homem da mala não tinha sinais de ferimentos nos dedos.
Quando foi anunciada a próxima estação do metrô, o homem se levantou e eu pensei em não deixa-lo  ir sem perguntar o que tinha na mala.
Quando lhe perguntei, ele com seus olhos azuis em um óculos de aros finos me sorriu, virou as costas e se perdeu no meio da multidão que subia a escada rolante. Foi frustrante!
Não sei se alguém me olhava naquele momento, estava aturdido, e com meus botões ainda  pude observar que aquela mala estava muito leve, parecia aquelas malas de novela, que os atores vão jogando as roupas dentro sem dobrar, com cabide e tudo, e depois carregam sem um mínimo de esforço, mas talvez a mala poderia ser nova, ele tivesse terminado de comprar , e também não me respondeu por talvez não saber o meu idioma, ser estrangeiro, ou até quem sabe ser surdo e mudo, afinal me deu um sorriso bem simpático.
Não importa, sem ao menos lembrar da fabula de Esopo, "A raposa e as uvas", não queria mesmo saber e não estou nem ai, e o que tem dentro da mala não me interessa.