domingo, 10 de março de 2024
O vendedor de suco
sábado, 16 de dezembro de 2023
Olhar indiscreto ou liberdade explicita?
A moça falava ao telefone que tinha visto duas senhoras tentando atravessar a avenida, uma de óculos escuros e bengala com dificuldade de visão, e a outra com o olhar parado, totalmente cega.
Percebendo a dificuldade delas a moça foi oferecer ajuda, então a cega disse que queria atravessar a avenida, mas antes teria que ir ao banheiro, não aguentava mais segurar o xixi, então a moça sugeriu que fossem ao supermercado próximo, e a cega disse que não aguentaria esperar, então a moça mostrou um muro e disse que não tinha ninguém perto e ela poderia aproveitar a ocasião, mas a cega disse que assim não conseguiria.
Foram ao supermercado, e lá no banheiro a cega perguntou se ali dentro do banheiro só estavam elas três, e a moça confirmou, e disse que não precisava se constranger pois ela era enfermeira e já estava habituada a situações assim, então a cega perguntou em que hospital a moça trabalhava, e ela disse que no momento estava desligada do hospital, no que a cega perguntou se ela não poderia trabalhar em home care, e assim a moça foi contratada.
No momento que a ligação foi terminada, uma senhora atravessava a rua e quando chegou a outra calcada, tropeçou e caiu de barriga no chão, e rapidamente se levantou, limpou a roupa e foi embora, em seguida outra senhora entrando no supermercado, talvez estivesse pensando no autoexame das mamas, e foi apalpando os seios tentando sentir algum sinal, não se sabe se sentiu ou não, e no mesmo instante outra senhora de vestido preto de tecido leve talvez tenha sentido necessidade de levantar a calcinha, que estava com elástico flácido e estava caindo, e sem cerimônias usou as duas mãos e levantou a calcinha levando junto parte do vestido.
Tudo isso são humanices, tudo isso é muito normal no ser humano, e nesse mundo maluco de guerras e muitas informações, esquecemos que não estamos sós e as vezes não processamos nossos próprios atos, e para quem vê esta sendo indiscreto, ou quem faz esta sendo explicito?
terça-feira, 3 de outubro de 2023
Alexandra
Ela é miudinha, pequenininha, e gosta quando falam que os melhores perfumes vem nos menores frascos, mas fica preocupada quando zoam com ela dizendo que os piores venenos também vem nos menores frascos.
É muito querida pelos colegas de trabalho, porque sempre esta de bom humor e tem um espírito de luz que não leva nada pelo mal, por mais espetadas que leve sempre sorri, e não dá o troco para ninguém.
Podem colocar o apelido que quiserem, mas um que combina com sua personalidade é "Formiga Atômica", por ser muito elétrica e bastante espoleta.
Por ser tão pequena, um dia foi limpar o cesto de lixo e perdendo o equilíbrio caiu dentro, e foi um sufoco para sair porque ficou batendo as pernas para fora, com a tampa do cesto nas costas, e também acredito que suas roupas devem ser compradas na Petistil ou na lojinha da Barbie, estilo Barbie sapeca!
Quando tira o uniforme e se prepara para ir embora, dizem que coloca os dedinhos na tomada para dar um frizz nos cabelos, e sai puxando as roupas tentando tampar todo o corpo, só que é muito difícil porque falta pano.
Como trabalha na seção onde vende azeitonas, sempre é aconselhada não engolir uma azeitona principalmente a tipo gordal, senão vai estufar a barriga e vão pensar que esta grávida.
Alexandra, não fique triste quando zoam com você, só se zoa com quem temos confiança e estimamos.
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
Pensando em pão de queijo
"Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar", frase de William Shakespeare que ficou imortalizada.
No balcão da padaria pedi uma baguete e quatro pães de queijo para dona Carmem, que me perguntou se estava frio, e eu disse que no aplicativo do celular dizia que era 13 graus a temperatura, e a sensação era de 14 graus, então falei que sabia que a temperatura era medida pelo termômetro, mas a sensação de temperatura eu não sabia como era medida, então dona Carmem disse que isso nem Freud explicava.
Sai da padaria comendo pão de queijo, imaginando que Shakespeare era inglês e não teve o prazer de conhecer o pão de queijo, e Freud era austríaco, e ficava pensando tanto, que quando fosse procurar o pão de queijo, já teria acabado.
Já dona Carmem se orgulhava de ter o nome da ópera de Georges Bizet, que conta a história da sedutora Carmen, que afasta Don José de sua noiva Micaela, dando início a uma confusa e trágica trama de amor.
Mas o que é importante é que eu estou comendo o pão de queijo e vou tomar um cafezinho, Uai, e tem trem melhor que isso?
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
Rone Cley Autobiografia
Me perguntaram quem me deu esse nome, e porque? , se era nome de algum artista ou algo assim, e eu respondi que meu pai Rosevaldo morava em Floresta Azul, e andando numa cidade vizinha viu uma mulher chamar uma criança por esse nome, e como achou bonito, chegou em casa e falou para minha mãe Valdeci, que também gostou, então fui batizado com esse nome de artista, e eles não sabiam, mas Deus também participou me dando uma voz de locutor, pelo menos é o que dizem.
Os colegas de trabalho brincam comigo porque entro no trabalho com o guarda chuva na mão, mesmo o tempo estando firme, falam que eu poderia deixá-lo no vestiário, mas me sinto mais seguro com ele à mão sempre, aliás, ele é meu amigo e se chama Jill, sim com dois éles.
Nos anos 70 o banco Nacional fez uma campanha que usava o guarda chuva, e prometia que quem investisse no banco teria lucro garantido, então o banco passou a usar o guarda chuva como símbolo do próprio banco, e guarda chuva significava proteção.
Don Lockwood, ator de Hollywood, ficou imortalizado no filme "Cantando na Chuva", e ele cantava e dançava mesmo com o guarda chuva fechado, mas não largou o guarda chuva, se tivesse largado, o filme não faria sucesso porque seria simplesmente a estória de um homem tomando chuva porque não era precavido.
Mas alguns colegas não perdoam, falam que não largo o guarda chuva porque não quero estragar a chapinha, mas deixa para lá, sou um verdadeiro cavalheiro e estou até pensando em comprar uma cartola.
Não estou nem ai, Moisés atravessou o deserto com um cajado na mão, e eu atravesso a rua com um guarda chuva, e quando estiver chovendo bastante, torço para que alguma garota me peça carona e venha se apoiar no meu braço.
domingo, 9 de julho de 2023
O galo que botava ovo
Seu Tonho vivia da venda de ovos e verduras na cidade, e só tinha a ajuda da esposa dona Cida, porque o filho Gabriel não tinha muito interesse no trabalho dos pais, vivia só na televisão e cuidando dos peixinhos do aquário.
Seu Tonho depois de colocar uma galinha para chocar, contou 21 dias e como os pintinhos não bicavam o ovo, ele os colocou contra a luz para ver a formação interna do ovo, e se surpreendeu que estava claro, não tinha nenhum pintinho ali em nenhum dos ovos, então comentou com dona Cida que o galo não tinha galado os ovos, com certeza estava velho demais ou tinha ficado estéril.
A solução era mandar ele para panela, e iria procurar o seu Sebastião para ver se tinha algum galo bom. O seu Sebastião disse que tinha sim, um galo grande, bem caipira, jovem e cantador, e trocou com o seu Tonho por um carrinho de mão velho.
A princípio seu Tonho colocou o galo novo num viveiro a parte, para evitar briga entre os machos, e só soltaria ele no galinheiro depois do seu aniversário, porque tinha ideia aproveitar para cozinhar o galo velho.
No dia seguinte seu Tonho foi colocar água e milho para o galo novo, e se surpreendeu de encontrar um ovo perdido no viveiro, mas para ele um ovo a mais era um lucro a mais no dia seguinte na cidade.
Nem comentou com dona Cida, apesar de ter ficado intrigado porque aquele viveiro fazia algum tempo que não era usado, mas encucou mesmo quando no outro dia foi colocar água e milho, e encontrou outro ovo.
Dia após dia sempre tinha um ovo no viveiro, e o seu Tonho estava ficando louco, porque sabia que galo não botava ovo, e depois de falar para dona Cida, foi comentar com o seu Sebastião, que foi categórico em falar que o galo ficava solto com outras aves em seu sítio, mas ele sabia que galo não bota ovo.
Seu Tonho começou a viajar nos sonhos, e imaginou que se aquele galo botasse ovo mesmo, ele poderia ganhar muito dinheiro dos curiosos, ou ainda leva-lo na faculdade para ser estudado, e poderia vendê-lo por um bom preço, mas ele queria certeza absoluta que o galo estava botando mesmo, e então ficou vigiando o galinheiro, sempre ficava por perto.
Naquele dia ainda não tinha aparecido ovo, então o seu Tonho ficou no paiol ao lado espiando pela brecha das tábuas, para ver o flagrante do galo botar ovo.
Qual foi sua surpresa, quando viu seu filho Gabriel se esgueirando dentro do galinheiro escuro, com um ovo na mão, e foi colocar dentro do viveiro, ficou muito revoltado, não entendeu o que estava acontecendo, e se sentiu humilhado por ser enganado pelo próprio filho, e não sabia com que intenção.
Seu Tonho foi falar com dona Cida, e ela triste falou que coração de mãe não se engana, e que achava que o Gabriel estava tentando dizer que em casa tinha um galo que botava ovo, e seu Tonho falou arrasado que o filho tinha que ter conversado com ele, que pai é para isso, orientar, esclarecer, e apoiar, e que o galo não precisava esperar 17 anos para golfar o ovo.
quinta-feira, 8 de junho de 2023
É cada apelido!
Conta-se que o menino Édson gostava muito de jogar bola, e quando ficava no gol, agarrava a bola e gritava: -Boa Bilé, que era o nome de um goleiro da época, seu ídolo, mas como sua dicção estava em formação, quem ouvia entendia Pelé, e como o menino era muito bom, começaram a chama-lo de Pelé, apelido que o irritava, mas com o tempo acabou adotando.
O apelido é uma forma de chamar uma pessoa informalmente, usando sua característica boa ou ruim, e se a pessoa não gostar do apelido, deve ignorar e simplesmente não ouvir, porque se achar ruim e ficar bravo, o apelido fica para sempre.
Tem uma piada que fala de um rapaz que tinha por apelido Limonada, e ele odiava, então quando passava na rua, outros rapazes para provocar, um falou Água, o outro falou Limão e o terceiro falou Açúcar, então o Limonada se virou e falou: - Se misturar vai ter porrada!
Conheço uma pessoa que provavelmente é descendente de holandeses, daqueles que vieram no Brasil colônia, ele é muito claro, loiro, e como se diz sarará mesmo, e quando bebe uma bebidinha fica vermelho, então o apelidaram de cu de pavão, e não sei se o orifício excretor do pavão é vermelho mesmo, mas fica o dito pelo não dito.
Um funcionário da loja em dia de chuva saia com sua mala 007 quando, um clarão no céu anunciou um raio caindo, e ele mais que depressa se jogou no chão para se proteger, e não deu outra, alguém viu e o apelidou de mala cheia.
O brasileiro é muito criativo e gozador, e quando o guardinha do estacionamento anda com a prancheta para anotar as placas dos carros, para facilitar amarrou um barbante na caneta para não perdê-la, mas distraidamente pegou o hábito de girar a caneta com o dedo indicador, e usando o barbante como se fosse uma hélice, então foi instantâneo, foi apelidado de Santos Dumont.
Uma cliente crica apelidava todos na loja, cada qual com sua característica, e eu comentando com o gerente, fui desfilando os nomes e os apelidos, então ele falou que pelo jeito ele também tinha um apelido, e eu falei que sim, mas não queria contar, e ele insistiu tanto que tive que falar, e por ele ter feito várias pontes de safena e estar meio caidinho, ela o apelidou de Morto Vivo!