segunda-feira, 14 de junho de 2021

Várias Estórias

 Ele foi avisado que a equipe de filmagens já tinha chegado e aguardavam-no na portaria, então ele se dirigiu para lá onde encontrou o repórter e a assessora de imprensa, uma jovem de uns 25 anos, com uma  vasta cabeleira encaracolada, que se destacava ainda mais por ter um rosto fino e pequeno.

Ele por ser totalmente careca quis ser receptivo com a assessora e disse que gostaria de ter um cabelo igual ao dela, ela sorriu e aparentemente gostou da recepção.

Depois do trabalho de filmagens ser realizado, ela quis ser simpática com ele também, e disse que ele estava de parabéns por ainda trabalhar com aquela idade.

Pergunta: será que ela não gostou da brincadeira do cabelo e deu o troco?



Um cliente coloca 5 potes de sorvete e vários potes de iogurte no carrinho do supermercado e deixa o carrinho no pé da escada rolante, onde subiu para almoçar na lanchonete.  Quando o erro foi percebido por alguém do supermercado, os potes foram devolvidos em em seus devidos freezers e refrigeradores correspondentes.

Uma hora depois o cliente termina o almoço e ao ver que seus sorvetes e iogurtes não estavam onde deixou, tranquilamente vai na seção e pega os potes novamente pagando no caixa e indo embora.

Pergunta: será que ele levaria para casa os potes descongelados e quentes?

Outro cliente que tinha pego na entrada da loja uma lâmpada fluorescente de uns 2 metros de comprimento, faz toda sua compra, que era grande, com o desconforto de carregar essa lâmpada com todo cuidado para não quebrar.

Quando chegou no caixa alguém pediu desculpas pela observação e disse que ele poderia pegar a lâmpada no final da compra para ter mais conforto, no que ele exclamou que tinha feito isso para poder clarear o cérebro de um idiota que pegou os sorvetes e iogurtes e deixou descongelar e esquentar enquanto almoçava.

Pergunta: qual é o mais idiota?



O cliente chega no balcão de frios e pede para o balconista 300 gramas de presunto fatiado, mas queria que fatiasse na hora. Apesar da bandeja de frios estar cheia, a atendente pega uma peça inteira e começa desembrulhar para fatiar, quando o cliente diz que quer que ela parta a peça ao meio e começa fatiar do meio para a ponta, pois queira todas as fatias do mesmo tamanho.  A atendente chama o superior e pergunta se poderia fazer isso, o que é negado, isso faria muitos pedaços prejudicando a qualidade do produto. O superior vira as costas e depois quando volta, a atendente disse que o cliente que já tinha ido embora, queria um quilo de linguiça, mas queria que fosse aberto um pacote novo, não queira a linguiça da bandeja que estava cheia, o que o atendente não atendeu por lógica.

Pergunta: se todos os clientes agissem como este, quem comeria as sobras?, este cliente é muito esperto ou acha que os outros são todos trouxas?

.


               




terça-feira, 11 de maio de 2021

O Antiquário

 No aniversário de 34 anos da minha filha mais nova, Mariana, ela alugou um sítio em Ibiúna, interior de São Paulo, para passarmos o fim de semana comemorando também o dia das mães.

Ao chegarmos no local não tive a melhor impressão, a aparência era de uma casa velha com móveis velhos, porém observando melhor vi que a casa era a maior parte feita de material de demolição, de muito bom gosto e os móveis e decoração eram todos antiguidades, alguns do século XIX e outros do início do século XX.

Muitas vidraças dão visão para o verde da mata atlântica e para o pasto, onde vacas Jersey pastam tranquilamente acompanhadas pelos quero-queros, e no céu a revoada de pombos é constante.

O que muito me intrigou foram várias rodas de pedra, algumas com 1, 2 e até 3 metros de diâmetro e largura de até uns 30 centímetros enfileiradas junto de uma grande mesa de pic-nic com bancos também de pedra pesados, o que me arremeteu a Stonehenge na Inglaterra, com todos os seus mistérios.

Também ferramentas agrícolas antigas, verdadeiras peças de museu, e vasos e urnas de cerâmica, postes em ferro que sustentavam os antigos lampiões à gás, e vários galpões com serras imensas e muita madeira de demolição empilhada.

Nas arvores próximas da casa saguis de tufo branco mostravam todas sua curiosidade com os visitantes, e tucanos-de-bico-preto saltitavam de galho em galho desviando nossa atenção das borboletas azuis de rara beleza.

Na primeira noite tivemos comida japonesa, guioza de legumes e shimeji na entrada e okinawa soba no jantar, ou seja a guioza é uma espécie de ravioli de legumes e o okinawa soba é um macarrão japonês servido com costela de porco cozida com shoyu e se come acompanhado de gengibre ralado e em conserva que é o beni shoga, e de sobremesa manjar de coco com calda de ameixa.

No sábado de almoço tivemos risoto de shitake com filé-mignon e no jantar os petiscos de castanha de caju, amêndoas, pistache e o tradicional pão, queijo e vinho.

No domingo aconteceu a coroação das rainhas, a mãe e a aniversariante, e depois o pic-nic com toalha xadrez do lado de fora da casa, com pães, pães de queijo e acompanhamentos levados em cestas apropriadas, e no almoço, comemos hambúrguer de costela bovina, minha especialidade de fabricação própria, com direitos a todos os acompanhamentos devidos, e na hora de ir embora, aconteceu o parabéns à você com bolo de cookies.

Na sala uma mesa de pebolim em ferro maciço traz um toque nostálgico e uma escada de madeira nobre de uma antiga mansão de São Paulo completa o clima de um mundo que não existe mais.

Mas voltando à ,minha intriga com relação as rodas de pedra, perguntei para o caseiro o que aquilo significava, e ele explicou que o antigo proprietário, pai do atual, era antiquário e viajava todo o país comprando antiguidades, e aquelas rodas eram de moinho de cereais que se usava antigamente.

Refletindo, pensei, como a vida é efêmera, um homem que se dedicou a vida toda convivendo com a história de pessoas, valorizando e admirando seus bens, depois de dez anos de sua morte ainda podemos sentir sua presença naquilo que deixou.

Para nós ficou a gostosa lembrança de um fim de semana maravilhoso, dando parabéns à aniversariante Mariana, e desejando felicidades às mães, e como disse o seu Dorival, às futuras mães também.

sábado, 17 de abril de 2021

Observar, Insistir, Constatar

 A pré-adolescente vê na televisão uma reportagem sobre a morte do príncipe Philip e a situação da família real, e usando uma força de expressão, fala para a mãe que desconfia que a rainha Elizabete e o Sílvio Santos são a Eva e o Adão.

A mãe pergunta o porque dessa observação, e ela diz que são muito velhos e nunca morrem, e pergunta se quando a mãe nasceu eles já eram velhos.  A mãe diz que sim, já os conheceu velhos.

Mas a mãe diz que não se pode avaliar por isso, que nem tudo que parece ser, é na verdade, e lembra a filha que o Lula ganhou um triplex e nem por isso em outra encarnação foi Judas que  ganhou trinta moedas, diz também que viu o Dr. Drauzio Varella ensinando como se lava as mãos na pandemia, e nem por isso é reencarnação de Pilatos, fala também que Moisés morreu há muito tempo e a pandemia é uma praga da China, não do Egito.

Mas fala para a filha que sempre deve observar, insistir e constatar, e somente assim o ser humano faz descobertas e evolui.  Mas pede para ela ficar atenta, pois se a rainha Elizabete e Sílvio Santos trepados em uma macieira forem picados por uma cobra, então pode ter certeza: foram Eva e Adão!

sexta-feira, 5 de março de 2021

Estória 99,9 % Verídica

 Nessa época de pandemia é comum encontrarmos produtos de limpeza no supermercado com os dizeres "99,9 % eficaz na eliminação de bactérias e fungos"

Então faço questão de dizer que esta estória é 99,9 % verídica, e somente 0,01% é fictícia, para poder fazer o arremate artístico da crônica.

Também é bom destacar que aqui não existe a intenção de fazer humor ácido, e sabemos que pessoas inteligentes as vezes fazem deboche de suas próprias desgraças, e tem mais, na espiritualidade quem disse que uma deficiência física é desgraça?

Então vamos à estória, que começa quando duas amigas que conversam no banco do ônibus, e uma delas fala rindo que um dia quando saiu do serviço, virando a esquina encontrou uma sacola de shopping cheia de alguma coisa, então ela parou, abriu a sacola e viu que eram vários sapatos masculinos sem uso, tirou um da sacola e viu que era o mesmo número do seu marido.

Toda feliz ligou para seu marido contando a novidade, estava levando-lhe vários presentes, mas o destino reserva surpresas, e quando chegou em casa tirando os sapatos da sacola viu que todos eram novos, sem uso, porém todos eram somente do pé direito.  Entre gargalhadas e sem entender nada, o marido lembrou que tinha um primo no Maranhão que não tinha uma perna, mas não conseguia lembrar que perna faltava.

Ligou imediatamente para o primo que confirmou que tinha somente a perna direita, e por dupla coincidência, o pé era a mesma numeração dos sapatos. Tudo resolvido, os sapatos seriam despachados pelo correio e seriam aproveitados, bem aproveitados.  

Nesse momento a moça sente um toque no ombro, e assustada olha de esguelha para trás, onde um senhor que tinha ouvido a estória pergunta se por acaso o primo do Maranhão não teria ganhado um skate em algum momento de sua vida, pois ele tinha um carrinho de rolimã, mas sonhava com um skate, e precisava dele para se locomover porque não tinha as duas pernas.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Hoje é o casamento da Adriana e do Rafael

 Tudo começou através de um aplicativo, mas não foi por acaso.  Vamos lembrar que os dois pegaram o bonde errado, e vocês sabem que Deus tem esses caprichos, faz as pessoas pegarem o bonde errado, para depois se encontrarem na estação certa.

Quando marcaram o primeiro encontro, que era num restaurante, ela fez questão de dizer que estava com uma roupa listrada, para facilitar o reconhecimento, e ele para ter certeza que não erraria, perguntou o tamanho das listras, e foi munido de uma régua para fazer a medição.

Ela como é muito objetiva, levou um papel com as instruções para ver se ele seria aprovado no teste. As instruções eram de Vinícius de Morais, e ela leu em voz alta:

"Para se viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro,

E ser de sua dama por inteiro, seja lá como for 

Há de fazer do corpo uma morada

Onde clausure-se a mulher amada

E postar-se de fora com uma espada

Para se viver um grande amor"

Ele ficou feliz! era como se tivesse passado no vestibular de medicina da Santa Casa, com a nota máxima, isso era moleza, ele até tinha sua armadura de um material mais forte que o aço, uma armadura de amor, era só vestir e defender a dama.

Mas ele também tinha suas exigências, e então sacou um papel com as instruções de Elba Ramalho, para ver se ela era aprovada, e leu em voz alta:

"Para descrever uma mulher

Não é do jeito que quiser

Primeiro tem que ser sensível

Se não é impossível

Quem ver, por fora, não vai ver por dentro

o que ela é,

É um risco tentar resumir 

Mulher

Que a divina natureza fez surgir

A mais linda obra prima que alguém já viu

Assim nasceu a mulher nas mãos de Deus...

Por mais que o homem possa ter,

Sem ela não dá pra viver

As vezes pede proteção,

Pra ter um pouco de atenção

Se fingi ser tão frágil mas, domina quem quiser

Pois ninguém pode definir

Mulher...

Mulher..."

Então Adriana disse feliz:-sou eu! como me descreveram tão bem!

E assim aconteceu o início do namoro, os sentimentos foram tão fortes que em pouco tempo resolveram se casar, mas Deus como diz Chico Buarque, é um cara gozador, e permitiu a vinda da pandemia, e a pandemia foi atrasando o casamento, marcavam a data e algo impedia.

Neste meio tempo foram morar no mesmo teto, e ai o Rafael fez um curso com Jamie Oliver, para aprender fazer risoto de abóbora e sobremesa gelada, também aprendeu a gostar de gatos, e conviver com eles, aprendeu a apreciar o vinho verde, e a Adriana aprendeu... a ser feliz!

Mas finalmente chegou o dia do casamento, não era como queriam, teriam que se privar da presença de amigos tão queridos, e os pais, irmãos e cunhados tiveram que fazer exame de Covid antes, para ver se todos estavam bem, e com todos os cuidados estamos aqui neste lugar maravilhoso para comemorar tão linda data.

Os pais, irmãos e cunhados, só desejam a felicidade dos noivos, e como é um casamento real, podemos dizer: Vila longa aos noivos!





domingo, 10 de janeiro de 2021

Bocomoco

Não me perguntem porque acordei com esta palavra na cabeça, Bocomoco, que significa brega, cafona, fora de moda, careta, ultrapassado e dégodé, que também é uma palavra bocomoco. 

Nos anos 70 e 80 tinha um comercial do guaraná Antárctica onde um personagem ao identificar uma pessoa ultrapassada, apontava com o dedo e gritava bocomoco.  O personagem dizia que o único antídoto ao bocomoco, seria tomar o verdadeiro guaraná brasileiro. Caso queira ver o comercial acesse o You Tube.

Em 1999 a  Sukita também lançou um comercial que uma jovem entrava no elevador tomando uma Sukita com canudinho, e um galanteador para puxar conversa perguntou se a Sukita estava gostosa e quando a jovem disse que sim, ele perguntou se ela era nova no prédio, então ela disse que sim e pediu para ele apertar o botão de seu andar, chamando-o de tio.  Sua cara caiu no chão sentindo ser chamado de velho.

Num segundo episódio, o galanteador percebe que está acontecendo uma festinha de jovens no andar de cima, então se arruma, coloca um perfume bucal e vai bater na porta.  Diz que percebeu que estava acontecendo uma festinha, com intuito de ser convidado, mas a moça mais que depressa ´pergunta se o barulho o acordou, pede desculpas e diz que vai abaixar o som fechando a porta na sua cara. Novamente se sente ser chamado de velho que dorme cedo. Estes comerciais da Sukita também podemos ver no You Tube.

Em 1982 Ary Toledo e Viana Júnior fazendo um comercial da Vimave, andavam na estrada debochando dos carros quebrados falando a frase "Pois é!" até que o carro deles também quebrou, então foram na Vimave comprar um carro novo.  Até hoje, 39 anos depois a palavra "pois é!" é designação de carro velho. Também veja esta  no You Tube.

Comerciais que são verdadeiras obras de arte e marcaram época, ideias simples e inteligentes!

A Pandemia

 O homem neste planeta sempre encontrou obstáculos para a sobrevivência, quer para se proteger dos fenômenos naturais, clima, catástrofes, quer para se alimentar, plantando e coletando vegetais ou então criando ou caçando animais.

Durante séculos o homem lutou para sobreviver, e devido sua natureza frágil, sempre teve de viver em grupos, em sociedade, o que propicia epidemias e pandemias.

A falta de saneamento destruiu cidades e povoados e só com higiene e cuidados o ser humano pode se proteger de doenças, pragas, epidemias e pandemias.

Durante séculos o homem sofreu com pragas e pestes, e se não bastasse isso ainda permitiu a escravidão, as guerras mundiais ou de região, as guerras ditas santas, o holocausto e os preconceitos que até hoje nos torturam.

Nossa geração conheceu uma pandemia de um vírus que é fácil de combater, basta água e sabão e álcool para destrui-lo, mas para produção de uma vacina para evitá-lo temos que nos conformar com políticos que só sabem fazer política, não sabem usar a mais poderosa arma que o ser humano tem que é o amor.

O que nos resta? Só o sofrimento de vermos nossos semelhantes sucumbirem e nos cuidarmos e nos protegermos para passarmos por mais esta etapa de desenvolvimento da humanidade.