domingo, 10 de janeiro de 2021

A Pandemia

 O homem neste planeta sempre encontrou obstáculos para a sobrevivência, quer para se proteger dos fenômenos naturais, clima, catástrofes, quer para se alimentar, plantando e coletando vegetais ou então criando ou caçando animais.

Durante séculos o homem lutou para sobreviver, e devido sua natureza frágil, sempre teve de viver em grupos, em sociedade, o que propicia epidemias e pandemias.

A falta de saneamento destruiu cidades e povoados e só com higiene e cuidados o ser humano pode se proteger de doenças, pragas, epidemias e pandemias.

Durante séculos o homem sofreu com pragas e pestes, e se não bastasse isso ainda permitiu a escravidão, as guerras mundiais ou de região, as guerras ditas santas, o holocausto e os preconceitos que até hoje nos torturam.

Nossa geração conheceu uma pandemia de um vírus que é fácil de combater, basta água e sabão e álcool para destrui-lo, mas para produção de uma vacina para evitá-lo temos que nos conformar com políticos que só sabem fazer política, não sabem usar a mais poderosa arma que o ser humano tem que é o amor.

O que nos resta? Só o sofrimento de vermos nossos semelhantes sucumbirem e nos cuidarmos e nos protegermos para passarmos por mais esta etapa de desenvolvimento da humanidade.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Mistério no Mosteiro

Novamente ele entrou no mosteiro que sempre que passava em frente não deixava de entrar, sentia imenso prazer em contemplar a imagem de Cristo à direita do altar e rezar um pai nosso.

O frescor e silêncio do ambiente contrastavam com o calor e o barulho da rua e o cheiro de vela queimada e das flores completavam o clima de paz.

A construção do mosteiro começou em 1910 e terminou em 1922 e abriga os monges beneditinos que seguem o lema: orar, trabalhar e ler, e realizam o oficio divino em rito monástico e a missa em rito romano, ambos com canto gregoriano.

Normalmente ele ficava no fundo do mosteiro e as vezes sentava no último banco, mas agora estava com vontade de explorar o ambiente observando os ladrilhos hidráulicos de linda decoração, e foi caminhando em direção ao altar parando em cada imagem que via ou em detalhes da arquitetura.

Uma pesada porta estava ligeiramente aberta, e a curiosidade lhe perguntava se não seria ali que iria para o subsolo do mosteiro, lugar que raríssimas pessoas têm acesso, e a tentação fê-lo abrir a porta o suficiente para passar e entrou, se alguém aparecesse naquela hora ele diria que estava procurando um monge para pedir alguma orientação e acabou se  perdendo.

Uma escada pouco iluminada descia em caracol, e andando nas pontas dos pés foi explorando o local até chegar numa sala onde um monge com uma pá na mão colocava um pequeno baú num buraco onde faltava a laje do piso.  Então ele ficou observando a cena imaginando o que o monge estaria enterrando, seria um tesouro?.

Terminado o trabalho o monge com dificuldade colocou a pesada laje no lugar e pisou em cima acertando algum pequeno desnível Nesse momento o monge percebeu que estava sendo observado e olhou para o homem e sorriu, e este ficou calado não sabendo o que falar, mas o monge quebrou o gelo e disse que estava enterrando um grande tesouro, e já que ele tinha visto foi lhe explicando que aquele baú continha cartas de um grande amor do passado. Explicou quer tinha nascido de um parto difícil e por pouco não morreu, e sua mãe como muitas outras  mães fazem, fez uma promessa que o filho seria um monge para servir à Deus, mas na adolescência conheceu um grande amor, e como o destino não permitiu casarem-se, ela casou com outro e pouco tempo depois morreu num acidente de carro.

Então ele estava ali enterrando as cartas de amor, porque sabia que um dia seria enterrado no mosteiro, e tinha esperanças de numa outra vida encontrar a amada, e se lhe fosse dado o esquecimento desta vida passada, teria ali um mapa para poder procurar seu amor eterno.

O homem ouviu calado e disse que a vida é assim mesmo, devemos ter fé nos desígnios de Deus e que ele mesmo toda vez que rezava o pai nosso em frente a imagem de Cristo, Lhe pedia que não Lhe desse o que ele queria, e sempre Lhe desse o que fosse melhor para ele.

Sorrindo despediram-se e cada um continuou seu caminho.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A Força da Palavra

Quando estava na escola um professor disse que muitas vezes alguém dá uma ordem sem saber o porque, simplesmente repete o que ouviu. Verdade, quando alguém fala para você que não pode fazer isso ou aquilo, pergunte porque e você vai ver que nem sempre a pessoa sabe explicar o porque da ordem. 

Tem perguntas que as pessoas ouvem e não pensam no sentido da pergunta, simplesmente respondem para não ficarem quietas, por exemplo quando alguém te pedir um objeto qualquer, por exemplo um espanador, então pergunte:- que cor você quer?, e a pessoa diz que pode ser qualquer cor, ou então fica pensando numa cor, mas a cor não é importante, o que importa é a utilidade do objeto.

Costumo elogiar algo dizendo que isto ou aquilo é melhor que dez anos de cadeia, não sei onde aprendi isso ou ouvi isso, mas o engraçado é que normalmente as pessoas param e não sabem o que responder ou falar, ficam pensativas e quietas. Um dia na churrascaria o garçom me serviu um carré de cordeiro e perguntou como estava, e eu para elogiar disse que estava melhor que dez anos de cadeia.

O garçom pensou um pouco, e disse que cadeia ele já rinha puxado, mas carré nunca tinha comido. Achei interessante, porque quem puxa cadeia dificilmente sai falando por ai, e dificilmente um garçom que trabalha numa churrascaria nunca tivesse comido carré, realmente ele é gozador como eu sou.

Mas temos que tomar cuidado com o que falamos, outro dia ao sair da padaria vi um catador de papelão comendo um pãozinho e tomando um copo de leite, então para ser simpático e quebrar o gelo tratando-o de igual para igual eu falei que aquele pão e leite eram melhores que dez anos de cadeia.

Me surpreendi com sua reação, disse que puxar cadeia era coisa de malandro, de bandido, e que ele nunca tinha puxado cadeia, e ficou resmungando palavras que não entendi bem, pensou que eu tinha dado uma indireta para ele, e achei melhor não explicar mais nada, afinal ele não iria entender nada mesmo.  Então eu digo aquele velho provérbio: "Escreveu não leu, o pau comeu".

E segundo o Wikcionário esse significa: Em não se sendo prudente em se verificar o escrito, há de ter de lidar com complicação resultante de erro cometido desapercebidamente.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A Juventude

 A apresentadora de televisão Hebe Camargo disse uma vez que a juventude é linda, realmente, crianças e jovens não tem rugas, não tem dor nas costas, não mancam, e são ousados, inconsequentes, mas o melhor mesmo é que quando jovens não pensamos no futuro, não temos noção que um dia a vida vai acabar.   O personagem Washington de Chico Anysio, dizia que jovens gostam de tarefas impossíveis e usava com a mãe o chavão:-mãe, eu sou jovem! .        Mas estou lembrando disso para contar um caso que aconteceu comigo quando eu era jovem; estava indo para o trabalho pilotando uma moto branca, na luz do sol das 9 horas numa rua de duas mãos, quando uma moça que vinha no sentido contrário, sem experiência no volante resolveu fazer o contorno sem parar, me atropelando e me jogando no chão.  Levantei e tentei usar a embreagem da moto, mas minha mão esquerda não tinha firmeza, tinha quebrado os ossos da mão, ossos que depois calcificaram juntos formando um bolo que ainda hoje tenho.  Na clínica de fraturas disseram que o ideal era operar a mão e colocar aqueles ferros todos para dar sustentação, e que eu devia fazer um boletim de ocorrência para depois poder cobrar da moça as despesas, mas achei que não seria necessário.    Procurei um médico especialista em mãos, um japonês, e ele disse que não recomendava operar, pois não ficaria 100% bom e se não operasse também não ficaria 100% bom, portando era melhor deixar como estava. Mas o grande problema era que eu entraria de férias em três dias, e como viajar para a Bahia de mão engessada?. Fui assim mesmo, imaginem dirigir 2.200 quilômetros somente com a mão direita?, as vezes apoiava a mão engessada no volante para mudar de marcha, mas não me perguntem o que eu falaria para o policial rodoviário caso ele me parasse, eu também não saberia.  Depois de voltar da Bahia, ou seja mais 2.200 quilômetros dirigindo com uma mão só, comecei fazer aulas teóricas de violino, e durante oito meses aprendi ler partituras musicais sem pensar se saberia manipular o violino, a mão esquerda é a que seguira as cordas para definir as notas musicais, mas consegui sim, aprendi violino por sete anos tocando músicas lindas como "Fascinação" e "O mágico de Oz", além de músicas clássicas.  Nunca senti um pingo de dor nessa mão, mas é assim mesmo, jovem não sente dor, não sente frio, sai de casa sem roupa de frio e sem guarda-chuva, e o velho pensa tanto antes de sair de casa e depois não sai porque terminou o dia.  Nessa época eu deveria beirar uns 40 anos, e não digam que eu era louco não, o padre dos balões com esta mesma idade, esse sim fez loucura!


 




sábado, 5 de setembro de 2020

Revele seu Íntimo

 Há muitos anos assisti ao filme "O Planeta dos Macacos", e fiquei muito impressionado, e devido ao sucesso do filme, começaram explorar o assunto num seriado dando continuidade ao filme, quando num episódio mostraram uma comunidade humana que quando iam fazer a adoração à seu deus, tiravam a máscara que imitava um rosto humano e mostravam um rosto todo deformado por causa de uma explosão nuclear, e diziam:-Senhor, eu te revelo o meu íntimo!

A máscara é usada pelo ser humano em muitas situações, no carnaval por exemplo cria um mistério, nos bailes de máscara também, nos filmes de faroeste onde os bandidos escondem o rosto e recentemente na série "La Casa de Papel" os ladrões usaram a máscara com a cara de Salvador Dali. 

Em países islâmicos as mulheres usam máscaras chamadas "Niqab", "Hijab", ou "Burqa", cada qual com suas características, por motivos religiosos ou culturais.

Diversas profissões usam máscara, o soldador a usa para não ferir os olhos, o apicultor para não ser picado pelas abelhas, o mergulhador usa para poder enxergar embaixo da água e diversas outras  mais, cada qual com um objetivo.

Agora por causa da pandemia, todo o planeta usa máscara para se proteger da doença, só não usam os idiotas porque não acreditam que a pandemia seja verdade, todo o planeta está errado, só eles estão certos apoiados em seus QIs.

A máscara diminui nossa oxigenação sendo desconfortável e permitindo a seu dono sentir o próprio mau hálito, ou bom se o tiver, e nós passamos a desconhecer as bocas e os narizes dos nossos semelhantes, e como tudo isso vai passar, a pandemia vai acabar, nos surpreenderemos vendo bocas e narizes bonitos ou feios, que até já esquecemos como são. Então eu te pergunto:- Você esta pronto para revelar o seu íntimo?

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Edmilsom

Quando a parteira saiu do quarto seu pai perguntou: é homi ou mulé?
É homi respondeu a parteira, e seu pai abriu um sorriso feliz, um menino era tudo que queria, apesar de já ter uns seis.  Esse se chamaria Edmilsom, porque ele tinha comprado um rádio e falava que "é de mil o som", então em homenagem ao rádio escolheu o nome do filho.
Desde pequeno gostava de brincar na bacia de água na hora do banho, batia as mãos e ria, então seu pai falava que esse menino seria um peixe para nadar.
Realmente, era bom nadador e pescador também, vivia com o caniço na mão pegando piabas e traíras, e como colocava no bolso da calça os peixes fisgados, ficava com o bolso lambuzado e com cheiro forte.
Para ir no córrego montava num jegue e no caminho ia cantarolando e imaginando que quando crescesse iria  parra São Paulo e compraria um carro moderno, uma rural  Willys talvez.
O tempo passou e ele depois de servir o exército, foi para São Paulo e foi trabalhar numa peixaria, adorava pegar nos peixes o dia inteiro e quando ia para casa a noite fazia questão de não tomar banho, para no ônibus ninguém ficar perto por causa do mal cheiro, que  para ele era perfume de paris.
Como tinha muito jeito para o negócio logo foi ser vendedor de uma grande empresa, e agora pegava na pasta e saia por ai vendendo, mas nunca deixava de olhar as câmaras e principalmente as trocas, achava o cheiro muito bom.
Um dia realizou seu grande sonho, comprar um carrão, e quando disse parra um colega e ele perguntou o nome do carro, simplesmente falou que não sabia, ia olhar no documento no carro.  Era um Dodge Journey, e ele lotou com as malas e presentes do magazine Luiza e foi parra  o Ceará.
Foi notícia  na cidade, todo mundo falava do artista que tinha chegado de carrão, camisa com muitas costuras, um corte de cabelo artístico com brilhantina e óculos rayban, e juntou muita gente em volta, até que um colega de infância o reconheceu e falou que o conhecia, que era  o Edinho, que catavam juntos marmelos e ninhos de passarinho na mata, sempre com o badogue pendurado no pescoço.
Então o Edmilsom para esnobar falou que tinha vindo com aquele carrão e que iria encher de rapadura, doce de leite, farinha de mandioca e carne seca para levar para São Paulo, e ainda sobrava espaço no carro para levar um jerimum também!

sábado, 11 de julho de 2020

A Máscara

Os olhos se encontraram no metrô, é o que chamamos de amor a primeira vista, olhos nos olhos, minutos infindáveis, um congelamento de sentimentos e emoções.
Os dois jovens, ela cabelos  longos e pretos, lisos, brilhantes, perfumados, ele cabelos com corte recente, bem penteado e uma testa inteligente.
Ela de máscara rosinha, com pequenos desenhos dos naipes do baralho, e jogava charme, ele com uma máscara com cara de palhaço, mostrava ser espirituoso, bem humorado.
Aparentemente um sorriu para o outro, digo aparentemente porque as máscaras não permitiam ver as bocas, mas os olhos brilharam, via-se que aconteceu uma mágica.  Começaram a conversar, a afinidade era visível e sentida por ambos, parece que se conheciam há muito tempo. Não faltava assunto, mas o que ele queria era ver a boca dela, e se perguntava será que seria carnuda, estaria com batom, ou seriam lábios finos, delicados? Será que ela tinha dentes remontados, encavalados?, talvez fossem perfeitos e clareados. E ela pensava como seria a boca dele, dentes perfeitos e nariz bem feito?  E se ela tivesse lábios leporinos?, isso não significaria nada, hoje a medicina faz correções e modificações, será que ele tinha pelos dentro do nariz, pelos saindo para fora com sinal de pouco cuidado, uma coisa era certa, precisavam ver a boca um do outro.
Mas, tinham acabado de se conhecer, seria deselegante um pedir para o outro para verem suas bocas, e se os bares e restaurantes não estivessem fechados, poderiam tomar um café, ou almoçarem juntos, mas era impossível. Ele não poderia levá-la em sua casa e nem ela levá-lo em sua casa, o  que poderiam pensar seus pais?
Na verdade um ver a boca do outro não seria coisa tão importante, mas seria como se um não pudesse saber o nome do outro, como se não pudesse perguntar a idade do outro, como se não pudesse perguntar para onde estavam indo, ou de onde vinham, do que gostavam, se eram solteiros, se estudavam, se trabalhavam.
Impossível, os olhos podiam se ver, os olhos são a janela da alma, mas a boca era necessário ver, é da boca que sai as coisas que vem do coração.