quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A Juventude

 A apresentadora de televisão Hebe Camargo disse uma vez que a juventude é linda, realmente, crianças e jovens não tem rugas, não tem dor nas costas, não mancam, e são ousados, inconsequentes, mas o melhor mesmo é que quando jovens não pensamos no futuro, não temos noção que um dia a vida vai acabar.   O personagem Washington de Chico Anysio, dizia que jovens gostam de tarefas impossíveis e usava com a mãe o chavão:-mãe, eu sou jovem! .        Mas estou lembrando disso para contar um caso que aconteceu comigo quando eu era jovem; estava indo para o trabalho pilotando uma moto branca, na luz do sol das 9 horas numa rua de duas mãos, quando uma moça que vinha no sentido contrário, sem experiência no volante resolveu fazer o contorno sem parar, me atropelando e me jogando no chão.  Levantei e tentei usar a embreagem da moto, mas minha mão esquerda não tinha firmeza, tinha quebrado os ossos da mão, ossos que depois calcificaram juntos formando um bolo que ainda hoje tenho.  Na clínica de fraturas disseram que o ideal era operar a mão e colocar aqueles ferros todos para dar sustentação, e que eu devia fazer um boletim de ocorrência para depois poder cobrar da moça as despesas, mas achei que não seria necessário.    Procurei um médico especialista em mãos, um japonês, e ele disse que não recomendava operar, pois não ficaria 100% bom e se não operasse também não ficaria 100% bom, portando era melhor deixar como estava. Mas o grande problema era que eu entraria de férias em três dias, e como viajar para a Bahia de mão engessada?. Fui assim mesmo, imaginem dirigir 2.200 quilômetros somente com a mão direita?, as vezes apoiava a mão engessada no volante para mudar de marcha, mas não me perguntem o que eu falaria para o policial rodoviário caso ele me parasse, eu também não saberia.  Depois de voltar da Bahia, ou seja mais 2.200 quilômetros dirigindo com uma mão só, comecei fazer aulas teóricas de violino, e durante oito meses aprendi ler partituras musicais sem pensar se saberia manipular o violino, a mão esquerda é a que seguira as cordas para definir as notas musicais, mas consegui sim, aprendi violino por sete anos tocando músicas lindas como "Fascinação" e "O mágico de Oz", além de músicas clássicas.  Nunca senti um pingo de dor nessa mão, mas é assim mesmo, jovem não sente dor, não sente frio, sai de casa sem roupa de frio e sem guarda-chuva, e o velho pensa tanto antes de sair de casa e depois não sai porque terminou o dia.  Nessa época eu deveria beirar uns 40 anos, e não digam que eu era louco não, o padre dos balões com esta mesma idade, esse sim fez loucura!


 




sábado, 5 de setembro de 2020

Revele seu Íntimo

 Há muitos anos assisti ao filme "O Planeta dos Macacos", e fiquei muito impressionado, e devido ao sucesso do filme, começaram explorar o assunto num seriado dando continuidade ao filme, quando num episódio mostraram uma comunidade humana que quando iam fazer a adoração à seu deus, tiravam a máscara que imitava um rosto humano e mostravam um rosto todo deformado por causa de uma explosão nuclear, e diziam:-Senhor, eu te revelo o meu íntimo!

A máscara é usada pelo ser humano em muitas situações, no carnaval por exemplo cria um mistério, nos bailes de máscara também, nos filmes de faroeste onde os bandidos escondem o rosto e recentemente na série "La Casa de Papel" os ladrões usaram a máscara com a cara de Salvador Dali. 

Em países islâmicos as mulheres usam máscaras chamadas "Niqab", "Hijab", ou "Burqa", cada qual com suas características, por motivos religiosos ou culturais.

Diversas profissões usam máscara, o soldador a usa para não ferir os olhos, o apicultor para não ser picado pelas abelhas, o mergulhador usa para poder enxergar embaixo da água e diversas outras  mais, cada qual com um objetivo.

Agora por causa da pandemia, todo o planeta usa máscara para se proteger da doença, só não usam os idiotas porque não acreditam que a pandemia seja verdade, todo o planeta está errado, só eles estão certos apoiados em seus QIs.

A máscara diminui nossa oxigenação sendo desconfortável e permitindo a seu dono sentir o próprio mau hálito, ou bom se o tiver, e nós passamos a desconhecer as bocas e os narizes dos nossos semelhantes, e como tudo isso vai passar, a pandemia vai acabar, nos surpreenderemos vendo bocas e narizes bonitos ou feios, que até já esquecemos como são. Então eu te pergunto:- Você esta pronto para revelar o seu íntimo?

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Edmilsom

Quando a parteira saiu do quarto seu pai perguntou: é homi ou mulé?
É homi respondeu a parteira, e seu pai abriu um sorriso feliz, um menino era tudo que queria, apesar de já ter uns seis.  Esse se chamaria Edmilsom, porque ele tinha comprado um rádio e falava que "é de mil o som", então em homenagem ao rádio escolheu o nome do filho.
Desde pequeno gostava de brincar na bacia de água na hora do banho, batia as mãos e ria, então seu pai falava que esse menino seria um peixe para nadar.
Realmente, era bom nadador e pescador também, vivia com o caniço na mão pegando piabas e traíras, e como colocava no bolso da calça os peixes fisgados, ficava com o bolso lambuzado e com cheiro forte.
Para ir no córrego montava num jegue e no caminho ia cantarolando e imaginando que quando crescesse iria  parra São Paulo e compraria um carro moderno, uma rural  Willys talvez.
O tempo passou e ele depois de servir o exército, foi para São Paulo e foi trabalhar numa peixaria, adorava pegar nos peixes o dia inteiro e quando ia para casa a noite fazia questão de não tomar banho, para no ônibus ninguém ficar perto por causa do mal cheiro, que  para ele era perfume de paris.
Como tinha muito jeito para o negócio logo foi ser vendedor de uma grande empresa, e agora pegava na pasta e saia por ai vendendo, mas nunca deixava de olhar as câmaras e principalmente as trocas, achava o cheiro muito bom.
Um dia realizou seu grande sonho, comprar um carrão, e quando disse parra um colega e ele perguntou o nome do carro, simplesmente falou que não sabia, ia olhar no documento no carro.  Era um Dodge Journey, e ele lotou com as malas e presentes do magazine Luiza e foi parra  o Ceará.
Foi notícia  na cidade, todo mundo falava do artista que tinha chegado de carrão, camisa com muitas costuras, um corte de cabelo artístico com brilhantina e óculos rayban, e juntou muita gente em volta, até que um colega de infância o reconheceu e falou que o conhecia, que era  o Edinho, que catavam juntos marmelos e ninhos de passarinho na mata, sempre com o badogue pendurado no pescoço.
Então o Edmilsom para esnobar falou que tinha vindo com aquele carrão e que iria encher de rapadura, doce de leite, farinha de mandioca e carne seca para levar para São Paulo, e ainda sobrava espaço no carro para levar um jerimum também!

sábado, 11 de julho de 2020

A Máscara

Os olhos se encontraram no metrô, é o que chamamos de amor a primeira vista, olhos nos olhos, minutos infindáveis, um congelamento de sentimentos e emoções.
Os dois jovens, ela cabelos  longos e pretos, lisos, brilhantes, perfumados, ele cabelos com corte recente, bem penteado e uma testa inteligente.
Ela de máscara rosinha, com pequenos desenhos dos naipes do baralho, e jogava charme, ele com uma máscara com cara de palhaço, mostrava ser espirituoso, bem humorado.
Aparentemente um sorriu para o outro, digo aparentemente porque as máscaras não permitiam ver as bocas, mas os olhos brilharam, via-se que aconteceu uma mágica.  Começaram a conversar, a afinidade era visível e sentida por ambos, parece que se conheciam há muito tempo. Não faltava assunto, mas o que ele queria era ver a boca dela, e se perguntava será que seria carnuda, estaria com batom, ou seriam lábios finos, delicados? Será que ela tinha dentes remontados, encavalados?, talvez fossem perfeitos e clareados. E ela pensava como seria a boca dele, dentes perfeitos e nariz bem feito?  E se ela tivesse lábios leporinos?, isso não significaria nada, hoje a medicina faz correções e modificações, será que ele tinha pelos dentro do nariz, pelos saindo para fora com sinal de pouco cuidado, uma coisa era certa, precisavam ver a boca um do outro.
Mas, tinham acabado de se conhecer, seria deselegante um pedir para o outro para verem suas bocas, e se os bares e restaurantes não estivessem fechados, poderiam tomar um café, ou almoçarem juntos, mas era impossível. Ele não poderia levá-la em sua casa e nem ela levá-lo em sua casa, o  que poderiam pensar seus pais?
Na verdade um ver a boca do outro não seria coisa tão importante, mas seria como se um não pudesse saber o nome do outro, como se não pudesse perguntar a idade do outro, como se não pudesse perguntar para onde estavam indo, ou de onde vinham, do que gostavam, se eram solteiros, se estudavam, se trabalhavam.
Impossível, os olhos podiam se ver, os olhos são a janela da alma, mas a boca era necessário ver, é da boca que sai as coisas que vem do coração.

domingo, 28 de junho de 2020

O Morador de Rua

Aparentava mais ou menos 50 anos, e morava nas ruas há pelo menos 5 anos; contou que veio para São Paulo à procura de trabalho e quando desembarcou na rodoviária foi assaltado perdendo seus documentos e as economias que trazia.
Dormia protegido por papelões próximo a loja e  só nos importunou porque ali mesmo urinava e deixava o lugar fedendo.
Com nossa implicância passou para o outro lado da rua, e como era boa gente, fez amizade com todo mundo.  Conversava com um e com outro, mas o que nos deixava com um pé atrás é que quando levantava cedo conversava consigo mesmo, e muito bravo, gesticulando e praguejando, talvez tivesse algum distúrbio, o que um colega nos disse ser consequência da solidão e insegurança de morar nas ruas.
Disse que sua família não sabia que morava nas ruas e um dia expressou sua vontade de voltar para Paraíba, seu estado natal.  Os colegas se reuniram e fizeram uma vaquinha para comprar a passagem e para as despesas de estrada, e quando um colega se propôs comprar a passagem para quinta-feira, ele pediu que esperasse até segunda-feira porque precisava arrumar suas coisas de viagem.
Achei engraçado e falei para o colega avisar ele para deixar os papelões na rua mesmo, afinal era só o que tinha além umas mudas de roupa, e andava sempre limpo inclusive ia na rodoviária e pagava para tomar banho.
Entregaram-lhe a passagem e o dinheiro para a viagem, e ele foi embora do local largando só os papelões. Dias depois duas pessoas vieram falar que tinham-no visto andando pelo bairro, que tinha sido assaltado e levaram a passagem e o dinheiro.
Ai fica o mistério, porque essa vida de morador de rua ainda é melhor que sua vida anterior? Será que comer restos de comida que as pessoas dão e dormir no relento ainda vale a pena?, onde está a dignidade do ser humano, ou até nisso ele foi roubado?

domingo, 26 de abril de 2020

Pare o mundo que eu quero descer

A lei e a consciência nos obrigam a dar segurança para nossos clientes, e nesses tempos de Corona Vírus onde falta trabalho e dinheiro, aumentou em muito a quantidade de pedintes na porta da loja.
O fato de pedirem alimentos para nossos clientes não nos incomoda, mas a forma como fazem realmente é preocupante.   São jovens pobres e mal vestidos que rodeiam o cliente na entrada da loja, todos ao mesmo tempo, amedrontando-os e intimidando-os, e estes com  medo de assalto se obrigam a ajuda-los.
Não bastasse isso, usam de uma tática para conseguirem dinheiro, pedem chinelos ou fraldas descartáveis para seus irmãozinhos, objetos de um valor alto que são fáceis de vender por um quarto do próprio valor para compra de drogas provavelmente.
Para inibir isto, quando vejo, normalmente abordo o cliente e lhe explico o que está acontecendo, e hoje numa sequência abordei duas clientes.  A primeira, pessoa fina, entendeu e me perguntou como faria agora, porque entendi seu medo de ao sair não levar o chinelo pedido, e então sugeri que quando saísse falasse para o pivete que seu dinheiro não tinha dado e que até tinha deixado de levar alguma mercadoria que precisava, então ela teve uma melhor ideia, disse que iria comprar um pacote de biscoitos e falar para o jovem que seu dinheiro não tinha sido suficiente para o chinelo, e assim fez.
A segunda cliente, também distinta e bem vestida, disse que o pivete estava com as mãos machucadas e calejadas de puxar carrinho nas ruas, e que ela daria o chinelo sim, e se ele vendesse e comprasse drogas, paciência, afinal ela também gostava de uma cerveja, e dai?.   Como me calei e passei a só ouvir, ela me pediu desculpas e disse que iria comprar os chinelos sim.  Fiquei observando de longe e vi que ela não passou os chinelos no caixa, e depois quando saiu deu um pão de forma para o pivete e justificou não sei como, não dava para ouvir o que ela falou.
Em sequencia, uma terceira cliente, jovem artista, intelectual, culta, me abordou e veio comentar que os pivetes estavam pedindo chinelos, então lhe expliquei a tática deles e comentei o que a cliente anterior tinha falado sobre as drogas e a cerveja, o que ela de imediato disse concordar porque o pivete nasceu pobre e tinha uma vida de bosta, então era melhor fugir nas drogas mesmo.  Fiquei estupefato e não tive coragem de ver se ela comprou os chinelos ou não.
Verdade, livre arbítrio, cada um faz o que quer, por outro lado pensei será que eu estava julgando meus semelhantes? (as clientes).  É difícil viver em sociedade sem ter uma escala de valores, ou será que estou trocando ideias com as pessoas erradas?
Não! Estou trocando ideias com pessoas que não escolhi para trocar ideias, então que eu aprenda:  tenho que aprender a medir as palavras!

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Coronavirus

Seria esta a terceira guerra mundial? O inimigo é microscópico, não pode ser visto a olho nú. Se o inimigo fosse um estadista ou uma aliança de estadistas, poderíamos classificá-los de megalomaníacos. Poderíamos como Freud justificar suas atrocidades por problemas de educação, de família, e lógico culpar as senhoras suas mães.
Esse inimigo usa como porta para entrar no corpo humano nossa boca, nossos olhos e o nosso nariz, e a chave da porta são nossas mãos ou os perdigotos de quem fala muito perto ou de um espirro.
Então nossa defesa é evitar o contato físico e a higiene constante com água e sabão e o velho álcool. O álcool, herói da nossa infância, quando aprendemos que o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva quando deparou com os índios Goyazes que usavam adornos feitos de ouro, colocou álcool em uma bacia e pôs fogo, e os índios com medo pensando que ele queimava água, deixaram-no entrar na região e ainda mostraram as minas de ouro chamando-o de "Anhanguera", que significa "espírito maligno".
Hoje Anhanguera não seria nosso herói, seria um mau caráter que se apropriou dos bens dos donos da terra.  Agora usamos o álcool como uma arma para aplacar nosso inimigo kamikaze que faz um ataque suicida e depois com o passar do tempo acaba morrendo junto.
Mas sabemos que tudo passa, aliás esse era o mantra usado por Chico Xavier, e tudo passa mesmo, a Peste de Atenas passou, a Peste Negra passou, a Praga de Londres passou, a Primeira Guerra passou, a Segunda Guerra passou, e o Holocausto passou.
E sabemos que o Corona Vírus também passará, e nossa compreensão não sabe explicar como Deus permite todas essas desgraças que varrem a humanidade, mas uma coisa por experiência sabemos, que depois dessa fase triste que passa o planeta, experimentaremos um grande desenvolvimento material e espiritual.