sábado, 27 de julho de 2019

Navegar é Preciso

Entramos no velho mundo por Lisboa, cidade menina, moça e mulher, cidade com vestígios de ocupação humana pelos neandertais extintos há cerca de 30.000 anos, foi visitada pelos fenícios em 1.200 a.C. e habitada pelos romanos, germanos e árabes, e somente em 1.147 o 1º rei de Portugal D. Afonso Henriques conquistou Lisboa expandindo-a para fora das muralhas.
Visitamos o Castelo de São Jorge construído para defender a cidade de invasões romanas, o Mosteiro dos Jeronimos de belíssima arquitetura e peças de museu valiosíssimas, o Arco da Rua Augusta construído para celebrar a reconstrução da cidade após o terremoto de 1.755 usando o ouro explorado no Brasil.  No "Metro", como eles chamam o Metrô, fiquei espantado de comprarmos o bilhete na máquina eletrônica e para embarcarmos foi necessário encostar o bilhete num totem que faz a leitura e descer as escadas para embarcar sem passar em catraca nenhuma e sem fiscalização alguma, onde uma pessoa de má fé poderia viajar sem pagar nada, mas cultura é cultura!, e para não descermos em estação errada ficávamos atentos na "Próxima Paragem" como era anunciado no alto-falante do "Metro". Fomos nas tabernas ouvir o fado saboreando o delicioso bacalhau e tomando vinho; Lisboa é uma cidade encantadora, com sua arquitetura, suas ladeiras, suas tabernas, seus bondinhos, realmente é sensual e pode ser chamada de cidade menina, moça e mulher. É bom lembrar o último verso da música de Carlos do Carmo:
Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Visitamos a Torre de Belém construída no estuário do Rio Tejo, para defender a entrada de invasores em Lisboa. Em Belém saboreamos o tradicional Pastel de Belém, criado neste local, mas em outras cidades é chamado de Pastel de Nata, se você pedir um Pastel de Belém em outra cidade eles te corrigem!
Alugamos um Suv da Fiat, 1.3, diesel, cambio mecânico e o retiramos no aeroporto, onde uma placa dizia: "Levantamento de Viaturas", e indo para o norte fomos em Estoril, com casas muito lindas e ricas e uma praia muito pobre em relação as brasileiras, mas sabemos que as praias boas de Portugal estão em Algarves, onde não fomos, e logo após fomos em Cascais, uma praia mais bonita porém as águas estavam geladas para nossos padrões, apesar de vermos muitas excursões de escola com crianças a partir de 3 anos, brincando e se divertindo na água.
Indo para Sintra, passamos pelo pedágio, mas como tinha instalado um sem parar no carro, sempre tinha de utilizar a passagem escrita "Reservada a Aderentes" e nas mudanças de estradas passávamos pelas "Rotundas" que no Brasil chamamos de rotatórias.
Como minha filha Adriana fez nosso roteiro de viagem e as reservas das casas e apartamentos, ficou a cargo da outra filha, a Mariana, ser minha co-pilota, usando o Waze e o Google Maps e me indicando as direções a seguir, e tenho que registrar que em nenhum momento  nos perdemos.
Uma coisa muito comum em Portugal, são os varais de roupa do lado de fora das janelas dos apartamentos, então é comum vermos calcinhas expostas para quem passa na rua, mas não vemos fraldas secando, Portugal tem a quarta menor taxa de natalidade da Europa, portanto é raro vermos "bebés" como chamam os bebês lá.
Fomos visitar o Palácio Nacional da Pena, uma das principais expressões do romantismo arquitetônico do século XIX, e o Castelo dos Mouros construído nos séculos VIII e IX e me chamou a atenção a Porta da Traição, que é aquela passagem secreta que usavam para entrar ou sair do castelo em segredo, para fugir ou para entregar alguma mensagem. Mas o que mais gostei mesmo em Sintra, foi a Quinta da Regaleira, chácara no centro da cidade, com um belo palácio, uma lindíssima capela e com muita água correndo nas fontes e dois poços com escadarias ao lado, sendo que em um deles, o Iniciático, de 27 metros de profundidade, e com uma rosa dos ventos no chão, era usado para iniciações maçônicas ou rosacruzes, além de uma infinidade de túneis que ligam várias construções da quinta. Uma ´placa em Sintra me chamou a atenção "Estacionamento de Ligeiros Sujeito a Cobrança", sendo que Ligeiros são os carros pequenos.
Seguindo para o norte, chegamos em Óbidos, cidade medieval tomada dos mouros em 1.148 por D. Afonso Henriques, onde nos deliciamos com a famosa ginjinha, que provavelmente nasceu na Asia Menor, mas graças ao microclima de Óbidos encontrou a melhor qualidade em Portugal, além dos queijos de ovelha e cabra.
No  restaurante, quando terminamos o almoço, a garçonete perguntou;- "Posso levantar os pratos", e não víamos a hora de tomarmos a ginja. De Óbidos fomos para Fátima, bonito complexo regilioso no local onde os pastores Lucia, Francisco e Jacinta viram N.S. de Fátima, local de peregrinação de devotos do mundo todo, e próximo do local das aparições, uma placa comemorativa de 100 anos da aparição de N.S. de Fátima em Portugal, e 300 anos de devoção à N.S. Aparecida no Brasil.
E nós vamos subindo para nosso próximo destino, Batalha, cidade fundada por D. João I, juntamente com o mosteiro de Santa Maria da Vitória, em agradecimento ao auxilio divino pela vitória na batalha de Aljubarrota em 1.385. Em Batalha tivemos uma experiência engraçada, pegamos um taxi com um motorista de idade para irmos a um restaurante, e quando a Adriana perguntou se teria taxis na rua mais tarde quando voltaríamos, ele rudemente disse que não, então ela perguntou como poderia fazer, e ele rudemente respondeu que tinha que telefonar. No restaurante depois de comermos um delicioso leitão, a Adriana pediu para a gerente se poderia pedir um taxi, e ela em alguns minutos depois disse que não tinha mais, mas que ficássemos tranquilos que ela iria resolver o problema. Um garçom nos levou ao hotel com o carro da gerente. Lindo mosteiro, e como nosso apartamento ficava em frente, dormimos ouvindo cantos gregorianos de um evento que estava acontecendo naquele dia.
No dia seguinte, deixando a praça de Batalha com seus "chapéus de sol", que são guarda-sóis, partimos para Aveiro, a Veneza portuguesa, uma cidade com 41 km de canais que eram usados como estradas pelos barcos para transporte de mercadorias, e agora só são usados para transporte de turistas. Comemos peixe, o garçom trouxe uma bandeja de peixe crus  para nos mostrar, e nos confessou sua alegria de ver brasileiros, ele era carioca e vendeu seu restaurante no Rio de Janeiro por ter sido assaltado 15 vezes e agora morava num lugar seguro.  Passeamos de barco moliceiro, andamos pelo canais da cidade, e durante o passeio nossa guia debochava do capitão do barco e ele respondia a mesma altura os impropérios, tudo naturalmente combinado para divertir os turistas, e essa guia chama os canais de "Ria" por se tratar das águas do estuário do rio Vouga.
Agora era chegada a hora de irmos para a cidade do Porto, a cidade onde o centro mais se parece com São Paulo, e em algum lugar vi uma "Lomba redutora de velocidade", nome dado ao quebra-molas em Portugal.
No apartamento do Porto constatei que em Portugal todas as tomadas do banheiro, que é chamado de "Casa de Banho", ficam do lado de fora, então você imagina estar tomando banho e alguém de brincadeira ou sem querer apagar a luz, realmente não consegui entender esta lógica.
Na rua vi uma placa que dizia: "Pedir Uber só com Aplicação", e no Brasil usamos o termo "aplicativo". Numa praça resolvemos tomar um café, num barzinho com mesas também do lado de fora, de duas proprietárias de meia idade, gordinhas aparentando um casal. Quando a Mariana perguntou se elas só tinham café expresso, uma logo respondeu:- você entra aqui e não sabes o que queres?, quando minha filha explicou que queria um café preto e grande, então ela serviu. Nesse momento entra no bar um senhor aparentemente amigo delas, e vendo a mesa úmida, pediu um pano para seca-la. Uma delas pegou o pano e foi na mesa e secou-a, em seguida servindo uma xicara de leite para o senhor, e quando foi indagado se queria um pouco de café no leite, como ele negou então ela disse:-foda-se!
Andamos no funicular para descer à beira do rio Douro e andamos no teleférico para subir da cota baixa para a cota alta da Vila Nova de Gaia, visitamos as lojas que vendem vinho do Porto, e assistimos um show de musicas tradicionais ao ar livre. Visitamos a livraria Lelo, frequentada por J.K.Rowling escritora dos livros Harry Potter, onde ela disse ter se inspirado, que para entrar paga-se 5 euros que é dado como voucher, portanto para não perder esse dinheiro tive que gastar mais 3 euros e comprar um livro de Fernando Pessoa.
No porto a Adriana nos reservou uma surpresa, logo de manhã, depois do café, que em Portugal chamam de "Pequeno Almoço", uma van veio nos buscar para um passeio, iriamos primeiro na cidade de Peso-da-régua e depois na cidade de Pinho, ambas muito importantes no escoamento de vinho que se destina à cidade do Porto. Vimos os vinhedos na montanha, de uma beleza impressionante, se existe outras reencarnações, e eu acredito nisso, com certeza um dia vivi ali, tudo me era muito familiar e só de olhar as ruas das videiras me senti cansado.
Subimos o Douro no barco, o mesmo que antigamente era usado para o transporte das barricas de vinho, e depois fomos visitar a vinícola D'origem em Casal de Loivos, e vimos o museu com o equipamento de produção de uva e azeite, perguntei ao proprietário se ainda alguém pisava as uvas com os pés, e ele disse que sim, e afirmou que há quem diga que o vinho fique mais saboroso. Andando pelas estradas, nosso guia, Miguel, mostrou uma van e disse que aquela "carrinha" era da sua "equipa " também. Comentei que no Brasil chamávamos de Van, não de "carrinha", e "equipa" chamávamos de equipe. Então como vimos um caminhão ele perguntou se no Brasil também chamávamos de "Camião'. Falei que sim, e só posteriormente quando via um acidente noticiado na televisão, o locutor dizia que o transito estava condicionado pois um "camião" despistou-se em Condeixa-a-Nova, percebi que eles omitem as letras "nh". Miguel já esteve no Brasil, e adorou nossas comidas, disse que não entende porque em Portugal tem açai e não tem tapioca. Fomos na cidade de Sabrosa, onde tivemos um maravilhoso almoço com peixe regado a vinho embaixo de uma nogueira gigante, e depois degustamos vinho do Porto de 10, 20 e 30 anos. Quem quisesse o de 100 anos teria que pagar a parte, não tive esse capricho.
De volta ao Porto, na televisão vi uma noticia sobre a previdência social de Portugal, onde os usuários são chamados de "Utentes". Portugal é um país preparado para o turismo, em todas as casas e apartamentos que ficamos, os proprietários tinham mapas da região para nos mostrar e todos tinham extintor de incêndio, estojo de primeiros socorros e abafa chamas, percebi que era um padrão e que todos tinham recebido orientações para atender turistas.
Da cidade do Porto fomos para Coimbra, cidade famosa pela Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, fundada no ano de 1.290, cuja escadaria tem 125 degraus, eu contei e confirmei no google. Fomos também numa Associação Cultural chamada "Fado Hilário", que defende om patrimônio musical de Coimbra, tendo sido Augusto Hilário da Costa Alves o primeiro  fadista português, e uma coisa que me chamou atenção é que até hoje o fado de Coimbra só é cantado por homens, com trajes acadêmicos, calças e batina pretas e também uma capa de lã preta.
Agora nosso destino me deixou tenso, emocionado, iriamos conhecer a aldeias do meu pai e da minha mãe. A aldeia do meu pai chamada Maxieira tem algumas casas boas mas para pedir informação é difícil encontrar alguém na rua. Perguntei para um senhor onde era a casa de minha tia Maria de Jesus, e para justificar minha pergunta falei que era sobrinho dela, filho de Manoel Hilário. O pobre do homem ficou emocionado, disse que era do ano do meu pai, e mesmo no Brasil eles trocavam correspondência. Já na aldeia de minha mãe, a Pracana Fundeira, com pouquíssimas casas em praticamente duas ruas, sendo que em uma das ruas as casas de pedra todas em ruina, da uma certa tristeza. Mas finalmente realizei esse desejo antigo de conhecer as aldeias do meu pai e da minha mãe, o que  também agradou muito minhas filhas e minha esposa que sendo baiana, tem raízes portuguesas. Fomos almoçar em Proença-a-Nova, onde comemos uma deliciosa costela de porco defumada e próximo do restaurante reparei numa placa que dizia "Gabinete de Beleza" e naturalmente é o que chamamos de Salão de Beleza"
Voltamos para Lisboa, estava chegando a triste hora de irmos embora, então fomos jantar no Laurentina, o rei do bacalhau, aliás em Portugal, economizamos muito não ficando em hotéis, usando casas ou apartamentos,  e investimos em alimentação, saboreando bacalhau, leitão, morcela, alheira, bolinho de bacalhau e bolinho de alheira, além do deliciosos pães com queijos de cabra, ovelha e misto, além do presunto cru português e naturalmente pastéis de Belém com ginjinha.
E quando embarcamos num voo da Tap e nos despedimos da comilança, a aeromoça perguntou se eu queria frango ou bacalhau, escolhi bacalhau apesar de saber que comida de avião ser mais um alimento do que uma iguaria, me surpreendi, e saboreei um delicioso  bacalhau em iscas, com pedacinhos de batata, espinafre e creme de leite, fechamos a viagem com chave de ouro.
Foi uma viagem maravilhosa, e termino esta crônica lembrando as palavras do Fellipe, amigo da Adriana, "Existe uma vida mais barata, mas não presta!"


quinta-feira, 13 de junho de 2019

Meu Rico Português

Ele entrou nervoso no avião e falou para o passageiro ao lado que não via a hora de sair do Brasil, que este país era Aldravão(1), e até para achar sua poltrona teve que perguntar para a Hospedeira(2) onde ficava. Sua estadia nesse país foi rápida, mas o suficiente para Enfrescar-se (3)  com tanta informação errada. Não é um país muito sujo não, os Almeidas(4) varrem as ruas, e no aeroporto a Casa de Banhos(5) é um brinco. Sua esposa começou a Estar com histórias(6) e foi comprar um Penso Higiênico(7) na farmácia, não era para ter acontecido na viagem, mas ela esqueceu de tomar uma Pica(8) no Rabo(9). O farmacêutico estava atendendo um Paneleiro(10) e uma Fufa(11), que deveriam ser amigos, e não era muito bom profissional, estava com uma Camisola(12) da seleção de futebol, mas ele foi paciente, esperou na Bicha(13) enquanto o farmacêutico alisava a Pêra(14). O paneleiro disse que jogava futebol, era Guarda-Redes(15), e qualquer Invisual(16) percebia que era mentira.  Ele falou para sua mulher que não tinha paciência, ia tomar uma Bica e comer um Cacete(17), e ele achava desagradável uma mulher escolhendo Cuecas(18) descartáveis a seu lado. Do outro lado um homem Marialva(19) ficava a observar, então ele disfarçou e comprou umas Pastilhas Elásticas(20), tinha terminado o tratamento no Estomatologista(21) e tinha mêdo  de estar com mau hálito. Falou que fez o tratamento no Brasil porque as Propinas(22) aqui são menores que na Europa. Também aproveitou para o seu Puto(23) fazer um curso com um Explicador(24). O Explicador tinha um Capachinho(25) preto muito ridículo, mas quando soube que ele era português, falou que sabia cozinhar comidas portuguesas, principalmente um Punheta(26), e resumindo, só  uma coisa ele gostou do Brasil, aqui todo mundo os conheciam, e em todos os lugares que iam, eram chamados de seu Manuel e dona Maria.

Dicionário Português
1-Aldravão-Mentiroso  2-Hospedeira-Comissária de Bordo   3-Enfrescar-se-Ficar Bêbado 4-Almeidas-Garis   5- Casa de Banhos-Banheiro   6-Estar com Histórias-Ficar Menstruada  7-Penso Higiênico-Absorvente Higiênico  8-Pica-Injeção  9-Rabo-Nádegas  10-Paneleiro-Homossexual  11-Fufas-Sapatão  12- Camisola-Camiseta  13-Bicha-Fila  14-Pêra-Cavanhaque  15-Guarda-Redes-Goleiro  16-Invisual-Cego  17-Tomar Uma Bica e Comer um Cacete-Tomar um Café e comer um Pãozinho  Francês  18-Cuecas-Calcinhas 19-Marialva-Mulherengo  20-Pastilhas Elásticas-Chiclete  21-Estomatologista-Dentista  22- Propinas-Impostos  23-Puto-Adolescente  24-Explicador-Professor Particular  25-Capachinho-Peruca  26-Punheta-Prato Típico Português feito com Bacalhau Cru e Desfiado.

domingo, 2 de junho de 2019

Planeta Água

     Água que nasce na fonte serena do mundo
     E que abre um profundo grotão
     Água que faz inocente riacho
     E deságua na corrente do ribeirão

Fomos abduzidos! , e depois de viajarmos numa velocidade de 828 Km por hora chegamos ao planeta Água.  Após o reconhecimento do local com refeições de muito esmero, fomos encaminhados à nave mãe.  Uma nave construída há 14 anos por uma empresa espanhola e custou na época 30 milhões de reais.  Manutenção impecável, sem um risquinho, tudo novo zerado!, e esta nave flutuava nas águas do rio Negro, aliás águas negríssimas, não se via nem um centímetro abaixo do nível da água.

      Águas escuras dos rios
      Que levam a fertilidade ao sertão
       Águas que banham aldeias
       E matam a sede da população

Acomodados em lanchas para 30 pessoas, todos com colete salva-vidas, inclusive o guia e o piloto, fomos explorar os igarapés de Jaraqui, onde a beleza é impar, não tem placas indicativas, ali impera a natureza nua e crua com uma água limpíssima, plantas flutuantes, pássaros voando e bichos-preguiça nas árvores.  Debaixo das árvores ouvimos assobios dos pequenos macacos juruparis, com seus filhotes nas costas, e quando um dos colegas desavisado pegou uma banana para comer, foi literalmente atacado e ficou sem a banana.  Às vezes passa uma canoa com moradores da região.

      Águas que caem das pedras
      No véu das cascatas, ronco de trovão
      E depois dormem tranquilas
      Nos leitos dos lagos
      Nos leitos dos lagos

Não poderíamos deixar de visitar a aldeia dos Cambebes no rio Cuieiras, índios que sempre se vestiram com roupas de algodão, pessoas belas, com toda tecnologia apesar da simplicidade, eles tem energia solar, escola de até segundo grau e posto do Bradesco.  Cultuam seus deuses e são católicos, vendem artesanato,  dizem que a terra local arenosa é muito boa,  especial para mandioca, e no rio tem peixes em abundância.  O líder da tribo foi categórico em dizer que fome eles nunca passaram.

      Águas dos igarapés
      Onde Iara, a mãe d'agua
      É misteriosa canção
      Água que o sol evapora
      Pro céu vai embora
      Virar nuvens de algodão

À noite o passeio foi com a focagem de jacaré, na verdade só visualizamos dois pequenos jacarés, mas a adrenalina foi imensa, belíssimos os sons da floresta à noite, o céu estrelado, mas o medo da lancha sofrer alguma avaria era grande, e esse medo fez com que um dos viajantes, um mineirinho, desse um verdadeiro show, representando o dia que ele iria contar para seus netos como foi caçar jacaré, e que teve de se lavar quando chegou ao navio por estar todo cagado, e que as gotas de água que caiam das árvores eram xixi que alguém fazia na cabeça dele, um verdadeiro stand-up improvisado no igarapé.

     Gotas de água da chuva
     Alegre arco-íris sobre a plantação
     Gotas de água da chuva
     Tão tristes, são lágrimas na inundação

Vale a pena levantar de madrugada para ver o sol nascer, foi mais um passeio de lancha inesquecível, o sol com seus raios dourados e vermelhos mostrava porque é chamado de astro rei, sem cerimônia ele deixou claro porque era adorado por povos na antiguidade e reverenciado pelos povos atuais, seja para fazer a fotossíntese na lavoura ou para pegar um bronzeado no corpo.

     Águas que movem moinhos
     São as mesmas águas que encharcam o chão
     E  sempre voltam humildes
     Pro fundo da terra
     Pro fundo da terra

A visita flutuante aos botos cor-de-rosa na região do Ariaú nos mostrou a doçura de animais que apesar de selvagens, são ternos, e sua importância para o equilíbrio ecológico, evitando a proliferação das piranhas, que são seu alimento natural.

     Terra! Planeta Água
     Terra! Planeta Água

Na pesca da piranha não fui bem sucedido, não pesquei nenhuma, só assisti outros colegas pescando e devolvendo o peixe feroz ao igarapé, é necessário muito cuidado para tirar o anzol da boca do peixe. Quando voltei ao navio, um colega perguntou se eu tinha tido sucesso, e como disse que não, ele muito bem humorado disse que o segredo para pegar piranha é levar dinheiro, então quase apanhou de sua esposa!

     Terra! Planeta Água

Por último ficou a observação do encontro do rio Negro com o rio Solimões, que apesar de ser nome de dupla caipira, caminham lado a lado sem se misturarem por 11 quilômetros, as águas negras do rio Negro e as águas barrentas do rio Solimões. O rio Negro tem um PH muito baixo, o que evita insetos, pernilongos, muriçocas, e quando um peixe entra em suas águas vindo do rio Solimões, fica  atordoado virando  presa fácil para os botos cor-de-rosa.

     De volta à realidade, voltando às nossas
casas,
     sabendo que 70% do nosso planeta é água,
     e 70% do nosso corpo é água também,
 percebemos
     que fizemos uma viagem fantástica,
 vivenciamos
     o útero da vida!

Obrigado Guilherme Arantes por abrilhantar minha crônica!
Obrigado Danone por me permitir esta fantástica aventura!
                             


     o útero da vida!














domingo, 19 de maio de 2019

A Vida é Um Teatro

Estamos sempre representando, a vida é um teatro constante, a peça começa ao raiar do sol e termina na luz da lua. As vezes começamos representar quando chega a lua e vamos até o raiar do sol.
Todos os dias repetimos todas as cenas, já as conhecemos, procuramos fazê-las cada vez melhor, e minuto a minuto surgem novas circunstâncias e novas situações.  Temos de usar a criatividade e a tolerância, as vezes a mágica e a resignação.
Todos os dias novas esperanças, novas ilusões, e a peça continua, graças a Deus que continua!
As vezes o desespero, o medo, mas a fé é maior e a vontade de ir em busca da vitória é possível, então a  gente se atira, põe a cara a tapa e vence.
Esperamos nunca sair de  cartaz, que bom que não lembramos o que combinamos, não sabemos quando termina o contrato, lutamos para conquistar novos públicos e esperamos que eles gostem da gente, que nos queiram bem.
Os palcos são infinitos e a grande vantagem é que temos o livre arbítrio, podemos fechar a cortina quando quisermos.  Escolhemos nossos parceiros para contracenar, e pedimos a clemência de um produtor maluco que nos permita ir até o último ato. Sorte que não sabemos quando será o último ato!, senão não teríamos força para em cada cena agradecermos os aplausos.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Utopia

É feriado, e mal raia o dia na cidade de ruas vazias, o ventinho gelado do fim de outono contrasta com algumas pessoas com roupas leves que vararam a noite em bares e baladas, ainda estão com os corpos quentes de álcool, e com conversas acaloradas, algumas ainda com a lata de cerveja na mão, e com dificuldade de se despedirem, não se sabe por a noite ter sido tão boa ou se pelo medo de enfrentarem o novo dia com o cansaço e a ressaca martelando a cabeça.  Alguns carros passam velozes, são motoristas alcoolizados desafiando o asfalto sem trânsito ou alguém que perdeu a hora do trabalho.
Nos trailers que vendem lanches para os jovens da noite, começa a desmontagem das mesas e cadeiras, e nas padarias modernas muitos carros estacionam para tomarem o café da manhã com o pão na chapa.  Um casal briga na calçada, briga que termina em abraços e beijos, o motivo da briga talvez seja o ciúme, mas uma coisa é certa, depois de um dia de sono ninguém lembrará de nada.
Passa uma moto, deve ser o marido levando a esposa enfermeira para o plantão no hospital, e na calçada um mendigo dorme no chão, será mendigo ou será um bêbado?
Lentamente o dia clareia, lamentavelmente álcool e drogas são a utopia do ser humano. Na calçada jaz um carro com a frente acabada e na rua outro agoniza com a traseira destroçada, motivo: motorista alcoolizado, é irônico, mas talvez os carros também sejam movidos à álcool.

domingo, 21 de abril de 2019

E Agora José ? (10)

O Cristão é Chamado a Servir em Toda Parte
Você sabe porque o cristão é chamado a servir em toda parte?, é porque a consciência o chama. A partir do momento que ele tem o conhecimento dos ensinamentos de Cristo, e ele é cristão realmente, ele se sente na obrigação de servir e ajudar o seu semelhante, eu sinto isso na pele.
Os ensinamentos de Cristo dão muita força a quem os pratica, e consequentemente dão serenidade e paz para uma vida mais feliz, é o que me motiva a viver.  Muitas pessoas tem um pequeno conhecimento dos ensinamentos, talvez o básico que a sociedade nos obriga a conhecer, seja no aprendizado do lar, seguindo os ensinamentos dos familiares, na escola, ou na igreja de cada um, mas não dão a devida atenção e valor, e então vemos constantes exemplos de pessoas que na velhice o medo do futuro, do incógnito , os fazem rever os conhecimentos e se apegarem a religião com toda força, virando verdadeiros beatos, não é o meu caso, pois minha necessidade sempre  existiu, mas somente agora estou tendo a oportunidade.
Talvez tais sentimentos sejam reminiscências de conhecimentos adquiridos em outras vidas, mas no medo da aproximação da morte, o sentimento de religiosidade se aflora.
Pessoas que tem pouco conhecimento dos ensinamentos de Cristo ou que tem conhecimento mas não os praticam, em momentos de desespero procuram apoio e ajuda de pessoas cristãs, é o apoio para o consolo e segurança das suas incertezas e medos.  Tenho em família um caso bem pitoresco, meu irmão, Biólogo formado pela USP, com Mestrado e Doutorado também pela USP, é um ateu convicto, mas quando vai fazer algum exame importante não deixa de pedir para nossa mãe que acenda uma velinha para ajuda-lo.  Por que procurar no momento de necessidade apoio numa espiritualidade que não se acredita?, no intimo acredita sim. Somos privilegiados de conhecermos e estarmos aprofundando nossos conhecimentos nos ensinamentos de Jesus, mas é importante que saibamos que estamos pegando um fardo muito pesado, um fardo de responsabilidade e obrigações, que apesar de ser muito, muito pesado, nos da muita paz e muita felicidade.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Tinha Que Ser Rosinha

Tinha que ser rosinha, a cor rosa combinaria melhor com suas roupas, além de dar um toque jovem e feminino.  Foi muito trabalho convencer a dentista colocar o aparelhinho, que dizia não ser necessário, que a correção no dente era tão pequena que não valeria a pena.
Mas não era essa a questão, todas suas colegas tinham o aparelhinho, porque ela não poderia ter?, já tinha recebido seu crachá e sempre que saia para almoçar ostentava-o no peito para fazer charme.
Todo dia de manhã, ao sair de casa conferia seus pertences, a mochila vazia, mas não importa, tinha que levar a mochila, era moda.  Na verdade não estava vazia, dentro tinha o livro "Cinquenta tons de cinza", que estava ficando roto de tanto ser carregado, ela odiava ler, mas dentro do metrô quando via algum rapaz bonito, abria-o para mostrar que era arrojada e antenada.
A garrafinha de água sempre à mão era questão de status, sabia que era importante se hidratar, e sempre que se sentia observada era obrigada a fazer a cena, representar a geração saúde.
Mas o mais importante mesmo era o celular, ela podia sair de casa sem roupa, nua, mas nunca sem o celular. Era o símbolo maior da sua geração, passaria fome se necessário, mas andaria com o celular na mão olhando para a tela, não vendo nada, mas fazendo cena.  Mas ela ainda tinha muitos sonhos à realizar, sobrancelha definitiva era um, e depois a maldita bike, ela odiava pedalar, mas teria que comprar uma bike cara, muito leve, com cambio e outros  acessórios, para desfilar na faixa de ciclistas empinando a bunda, e comemorando que no mês que vem pagaria a última parcela do silicone.