quarta-feira, 1 de maio de 2019

Utopia

É feriado, e mal raia o dia na cidade de ruas vazias, o ventinho gelado do fim de outono contrasta com algumas pessoas com roupas leves que vararam a noite em bares e baladas, ainda estão com os corpos quentes de álcool, e com conversas acaloradas, algumas ainda com a lata de cerveja na mão, e com dificuldade de se despedirem, não se sabe por a noite ter sido tão boa ou se pelo medo de enfrentarem o novo dia com o cansaço e a ressaca martelando a cabeça.  Alguns carros passam velozes, são motoristas alcoolizados desafiando o asfalto sem trânsito ou alguém que perdeu a hora do trabalho.
Nos trailers que vendem lanches para os jovens da noite, começa a desmontagem das mesas e cadeiras, e nas padarias modernas muitos carros estacionam para tomarem o café da manhã com o pão na chapa.  Um casal briga na calçada, briga que termina em abraços e beijos, o motivo da briga talvez seja o ciúme, mas uma coisa é certa, depois de um dia de sono ninguém lembrará de nada.
Passa uma moto, deve ser o marido levando a esposa enfermeira para o plantão no hospital, e na calçada um mendigo dorme no chão, será mendigo ou será um bêbado?
Lentamente o dia clareia, lamentavelmente álcool e drogas são a utopia do ser humano. Na calçada jaz um carro com a frente acabada e na rua outro agoniza com a traseira destroçada, motivo: motorista alcoolizado, é irônico, mas talvez os carros também sejam movidos à álcool.

domingo, 21 de abril de 2019

E Agora José ? (10)

O Cristão é Chamado a Servir em Toda Parte
Você sabe porque o cristão é chamado a servir em toda parte?, é porque a consciência o chama. A partir do momento que ele tem o conhecimento dos ensinamentos de Cristo, e ele é cristão realmente, ele se sente na obrigação de servir e ajudar o seu semelhante, eu sinto isso na pele.
Os ensinamentos de Cristo dão muita força a quem os pratica, e consequentemente dão serenidade e paz para uma vida mais feliz, é o que me motiva a viver.  Muitas pessoas tem um pequeno conhecimento dos ensinamentos, talvez o básico que a sociedade nos obriga a conhecer, seja no aprendizado do lar, seguindo os ensinamentos dos familiares, na escola, ou na igreja de cada um, mas não dão a devida atenção e valor, e então vemos constantes exemplos de pessoas que na velhice o medo do futuro, do incógnito , os fazem rever os conhecimentos e se apegarem a religião com toda força, virando verdadeiros beatos, não é o meu caso, pois minha necessidade sempre  existiu, mas somente agora estou tendo a oportunidade.
Talvez tais sentimentos sejam reminiscências de conhecimentos adquiridos em outras vidas, mas no medo da aproximação da morte, o sentimento de religiosidade se aflora.
Pessoas que tem pouco conhecimento dos ensinamentos de Cristo ou que tem conhecimento mas não os praticam, em momentos de desespero procuram apoio e ajuda de pessoas cristãs, é o apoio para o consolo e segurança das suas incertezas e medos.  Tenho em família um caso bem pitoresco, meu irmão, Biólogo formado pela USP, com Mestrado e Doutorado também pela USP, é um ateu convicto, mas quando vai fazer algum exame importante não deixa de pedir para nossa mãe que acenda uma velinha para ajuda-lo.  Por que procurar no momento de necessidade apoio numa espiritualidade que não se acredita?, no intimo acredita sim. Somos privilegiados de conhecermos e estarmos aprofundando nossos conhecimentos nos ensinamentos de Jesus, mas é importante que saibamos que estamos pegando um fardo muito pesado, um fardo de responsabilidade e obrigações, que apesar de ser muito, muito pesado, nos da muita paz e muita felicidade.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Tinha Que Ser Rosinha

Tinha que ser rosinha, a cor rosa combinaria melhor com suas roupas, além de dar um toque jovem e feminino.  Foi muito trabalho convencer a dentista colocar o aparelhinho, que dizia não ser necessário, que a correção no dente era tão pequena que não valeria a pena.
Mas não era essa a questão, todas suas colegas tinham o aparelhinho, porque ela não poderia ter?, já tinha recebido seu crachá e sempre que saia para almoçar ostentava-o no peito para fazer charme.
Todo dia de manhã, ao sair de casa conferia seus pertences, a mochila vazia, mas não importa, tinha que levar a mochila, era moda.  Na verdade não estava vazia, dentro tinha o livro "Cinquenta tons de cinza", que estava ficando roto de tanto ser carregado, ela odiava ler, mas dentro do metrô quando via algum rapaz bonito, abria-o para mostrar que era arrojada e antenada.
A garrafinha de água sempre à mão era questão de status, sabia que era importante se hidratar, e sempre que se sentia observada era obrigada a fazer a cena, representar a geração saúde.
Mas o mais importante mesmo era o celular, ela podia sair de casa sem roupa, nua, mas nunca sem o celular. Era o símbolo maior da sua geração, passaria fome se necessário, mas andaria com o celular na mão olhando para a tela, não vendo nada, mas fazendo cena.  Mas ela ainda tinha muitos sonhos à realizar, sobrancelha definitiva era um, e depois a maldita bike, ela odiava pedalar, mas teria que comprar uma bike cara, muito leve, com cambio e outros  acessórios, para desfilar na faixa de ciclistas empinando a bunda, e comemorando que no mês que vem pagaria a última parcela do silicone.

sábado, 23 de março de 2019

E Agora José ? (9)

Diante da noite não acuse as trevas. Aprenda a fazer lume.
Para mim a vida nunca foi um mar de rosas, desde os cinco anos sofri com um pai que era alcoólatra, o que me trouxe graves problemas, mas mesmo assim sempre acreditei que sou um protegido e um abençoado de Deus, e a esperança de que tudo mudaria eu nunca perdi.
Depois, já adulto sempre senti a necessidade de me apegar em algo mais, na verdade eu já era apegado mas precisava cultivar e exercitar esse sentimento. Portanto sempre que minha vida foi noite, em sempre procurei fazer  lume para sobreviver.
Quando eu tinha em torno dos 21 anos sofri com a síndrome do pânico , que naquela época não tinha nome cientifico ainda, era simplesmente uma doença do sistema nervoso, e o que me ajudou foi a Associação Mens Sana de Parapsicologia, dirigida na época pelo Frei Albino Aresi, e através da parapsicologia que na minha opinião é espiritualidade, pude superar essa doença, sendo que até a poucos anos ainda tinha alguns resquícios e sintomas da mesma. Mas esse tema no sentido literal da palavra, também me faz sentido. Um dia ouvi um padre falar sobre o medo da noite, e não entendi, porque entendo que noite é noite e dia é dia. Mas agora na maturidade as vezes acordo a noite e sinto um pouco de insegurança, imagino que se tiver algum problema todos estarão dormindo em suas casas e não poderão me ajudar, todos estarão cuidando de suas vidas e não estão preocupadas com o trabalho, que só começara no dia seguinte.  Hoje analisando esse sentimento sinto que isso ainda é consequência do vício do meu pai, quando eu não via a hora do fim de semana acabar, para todos voltarem a seus afazeres, inclusive meu pai, que às vezes deixava de beber e voltava a seu trabalho. 
Tanto no sentido figurado como no sentido literal, o cultivo e o exercício dessa busca do lume eu faço refletindo, fazendo uma prece e rezando um pai nosso.


E Agora José ? (8)

Lembre-se de que o mal não merece comentário em tempo algum
Acho muito difícil falar sobre este tema, porque devo estar sempre sob minha vigilância para não cometer esse erro. Quando vejo um amigo criticando alguém não posso ser hipócrita em não aceitar as criticas e me omitir e na maior parte das vezes acabo endossando o que estou ouvindo. Porem o que faço é tentar minimizar a observação do erro tentando ver e compreender o lado da pessoa que errou, e o que a levou a errar. Também acho importante entender o erro para não acabar cometendo-o também.  Acho que devemos tomar como exemplo o erro alheio e comentarmos para também não o cometermos.  Como somos humanos precisamos de referencia para fazermos comparação, e falar sobre um erro com a intenção de nos corrigirmos e  evita-los, acredito que seja muito importante.
O que não posso é ser um comentador e divulgador dos erros dos outros, com isso não ganho nada, só perco, além  de difamar uma pessoa. Uma coisa que me incomoda muito é ligar a televisão ou o radio e  ver um noticiário, percebe-se que eles vivem de más noticias, falam e exploram um assunto até esgotar, e isso além de não levar a nada ainda cria um clima negativo que não tiramos nenhum proveito.
Acredito que o importante é observarmos, respeitarmos e nos policiar nos julgamentos.

domingo, 10 de março de 2019

Machu Picchu: Eu fui

Era um sonho da adolescência , o mistério da cidade perdida sempre me deslumbrou, e pude finalmente realizar esse sonho.
Descemos no aeroporto de Lima, a capital do Peru, e no local um alvoroço nos chamou a atenção, foi também a chegada de Susan Ochoa, vencedora do concurso Viña del Mar 2019 com a musica La Gata Bajo La Lluvia, estávamos no nível do mar e os fluidos eram muito bons.
Depois de dar um giro pela cidade, fomos para Cusco, mas antes saboreei o Pisco Sour e a deliciosa cerveja Cusqueña dourada. Em Cusco fomos na Plaza de Armas, um marco histórico onde vimos uma dança folclórica e dois casamentos com direito a musica ao vivo num clima muito festivo.
Na Plaza comprei um sombrero do Panamá e o que me chamou a atenção foi a dona da loja nos deixar a sós na loja para buscar em outro lugar meu número e cor escolhidos.
Também no dia seguinte a gerente do hotel deixou o hotel e nos levou ao ponto de taxi à meio quarteirão de distância, muita gentileza de um povo e senti que não era por sermos turistas.
Logo cedo tomamos o ônibus para chegar até a estação de trem que nos levaria ao Pueblo de Aguas Calientes, aliás, um trem de teto panorâmico para podermos ver as altíssimas e belas montanhas da região.
No dia seguinte bem cedo tomamos outro ônibus que nos levaria em 20 minutos ao Parque Nacional Machu Picchu, que significa "velha montanha", com altitude de 2.693 m.
Quando entramos no Parque minha filha contratou um guia e ai, senti falta do meu sombrero que além de ter custado muito caro, seria necessário para me proteger do sol e para as fotos, eu tinha esquecido no ônibus. O guia falou com o responsável pela entrada do Parque, e foi engraçado todos se mobilizarem com seus HTs para me ajudarem. Alguns minutos depois el sombrero foi localizado e trazido por outro ônibus às minhas mãos.
No Parque, caminhamos por 3 horas na cidade perdida dos Incas, que adoravam o sol, ouvindo as explicações do guia que é peruano e falava o português, vimos que a área é dividida em duas partes, a zona agrícola com seus terraços de cultivo e a outra com as ruinas, as casas, os lugares de cerimonias, de observação dos astros, o local de sacrifícios de animais e humanos, a casa das  moças escolhidas pela beleza, que serviriam ao rei que era polígamo, apesar da população ser monogâmica, e a casa do rei, apesar dele não morar lá,  sendo que essa área urbana também é dividida em dois setores, o alto e o baixo, que dividia o povo conforme a hierarquia que ocupava na sociedade. É difícil falar do que vi, pois o próprio redescobridor das ruinas Iram Bingham, da Universidade de Yale, disse : Acreditará alguém no que encontrei?", portanto não tenho mais o que falar, só vendo mesmo para acreditar.
Voltando para Lima, conheci a pirâmide de Huaca Pucllana, no badalado bairro de Miraflores, bairro de Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura em 2010, pirâmide coberta de terra pelo último dos três povos que  habitaram o local, e nos anosa 80 era utilizada pelos praticantes de motocross, até que em 1981 máquinas que trabalhavam no local para abrir uma avenida fizeram a descoberta. Esta pirâmide tem 23 metros de altura toda construída em adobes de barro feitos à mão, e em 30 anos ainda não foi estudada nem a metade, imagina o que pode-se descobrir ainda destes povos que cultuavam o mar.
Onde passei não vi ninguém pedindo esmola, tem muitos carros velhos, outros bons e muitos tuc-tucs. A comida é extremamente saudável, a base de batata doce, abóbora, milho, e come-se também alpaca, cuy que é o porquinho da índia, rês que é a carne de gado e o chicharron de porco.
A bebida orgulho da mãe pátria é o pisco com o qual se faz um drink chamado Pisco Sour, que usa uma dose de pisco propriamente dito, que é um destilado à base de uvas, limão, açúcar, clara de ovo e 2 gotas de bitter. Para quem me conhece, sabe que consegui abrasileirar esta bebida, uso o pisco, maracujá, açúcar e gelo, e .....tim tim

E agora José ? (7)

Levante o caído. Você ignora onde seus pés tropeçarão.
Sempre que posso levantar alguém eu levanto, as vezes um estimulo, um elogio ou palavras de bom humor ajudam uma pessoa se sentir melhor e melhorar sua autoestima. A pessoa quando esta para baixo ou depressiva não consegue enxergar bem a realidade, então tento mostrar o lado positivo da situação e fazê-la entender que as coisas não andam sempre como queremos. Todo ser humano esta sujeito a cair, por erro próprio ou por circunstâncias da vida e realmente não sabemos quando então teremos que contar com a compreensão e a ajuda das pessoas que convivemos e que nos cercam.
Somos muito frágeis, talvez no mundo animal somos os mais frágeis. Uma tartaruga sai do ovo e vai para o mar sem conhecer seus pais, outros animais dependem por alguns meses dos pais para poderem se alimentar, mas nós humanos só vamos ser independentes depois de vários anos de vida.
A fragilidade do ser humano é que nos obriga a viver em família e em grupos, então levantar uma pessoa que cai é uma obrigação moral nossa, independente da religião.
Também sei que como sou ser humano, estou sujeito a errar e cair então tenho que ser humilde para pedir ajuda e agradecer uma mão amiga que possa me levantar.
Já aconteceu de eu tentar levantar alguém e essa pessoa não acolher minha ajuda, o importante é eu fazer o melhor que posso e deixar a pessoa usar seu livre arbítrio, pode ser que ela não queira ser levantada ou não esteja preparada para se levantar ou não entenda o que tento lhe passar e não leva a sério. Mas não tem importância, em outra oportunidade eu tento novamente.