quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Encontros e Desencontros

Na vida muitas pessoas passam pela nossa vida, e consequentemente também passamos pelas suas vidas. Muitas pessoas esquecemos e nunca mais lembramos, outras sempre lembramos, algumas às vezes encontramos anos depois e outras nunca mais vemos.
Curiosamente hoje trabalho com um colega com quem trabalhei há 52 anos atrás;  não mudamos de empresa, mas estávamos em lojas diferentes e hoje trabalhamos juntos novamente.
Outro dia um outro colega indo ao médico, ao dizer o nome da empresa que trabalhava, o atendente perguntou se ele trabalhava há muito tempo nessa empresa, e se me conhecia. Meu colega disse que sim, que trabalhávamos na mesma loja.  Ele se empolgou e contou casos de 45 anos atrás, quando andávamos de bicicleta, sonhávamos com nosso primeiro fusca, íamos em excursões para a praia e para a Caverna do Diabo.  Ele conquistou o fusca primeiro, e quando precisou de dinheiro para consertá-lo, pôde contar comigo. Como começou a atrasar e não pagava a dívida, nunca mais o procurei e assim nunca mais o vi.
Pelo meu colega de trabalho mandou um cartão com seu telefone, e eu pergunto:- eu  deveria telefonar para ele para que?
As pessoas passam pela nossa vida e consequentemente também passamos pelas suas vidas, e torço para que quem se lembrar de mim, tenha boas lembranças, e mesmo que nunca me procure, mas que vibre positivamente.
Mas hoje pensando nisso, vi uma mensagem no facebook que achei muito interessante, dizia: Pessoas maravilhosas vão entrar e sair da sua vida, mas a pessoa que você vê no espelho estará lá para sempre.  Seja sempre o melhor que você conseguir para você mesmo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Remake: Os Brutos Também Amam

Ele era bruto, muito bruto, na acepção da palavra, inclusive fisicamente, muito alto e com um dorso largo e troncudo. Era comum comprar um litro de leite no supermercado e sair bebendo direto na embalagem até acabar, ou então com ganância abocanhava um quarto de melancia deixando o sumo descer pelos braços. Seu trabalho era braçal  e as vezes o suor do corpo não era bem tratado, o que causava um certo asco. 
Mas para balancear esse aspecto, seu coração era doce e meigo, e se visse alguém com fome logo corria pagar um lanche, e como um verdadeiro bruto vivia procurando um amor para completa-lo.
Um dia convidou uma ex-colega de trabalho para tomar um suco ou comer um doce, e entraram num finíssimo e caro restaurante francês. Ele pediu um achocolatado e se assustou pelo pequeno tamanho do copo, aquilo não satisfaria sua gula, e a  colega pediu um pequeno doce.
Ele como um verdadeiro bruto falava alto chamando a atenção de todos naquele refinado ambiente, e ela não via a hora daquilo terminar para não passar mais vergonha.
Chegou a conta, e ele para mostrar que era cavalheiro não deixou ela saber o valor, mas arregalou os olhos e disse que era muito caro, mas como um bruto cavalheiro, para mostrar que era apreciador das boas coisas da vida, comentou com o garçom que aquele lugar era muito aconchegante, muito acolhedor, e que outras vezes voltaria ali, e para reforçar a ideia pediu: - por favor me dê um cartão!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Uma típica noite de ano novo atípica

A noite estava próxima, e pelo jeito seria bem diferente das anteriores, para começar que passaríamos sozinhos, eu e minha companheira de 36 anos, a qual namoro à 40 anos.
As meninas viajaram para Miami,os jovens abrem o horizonte e os velhos descansam em casa, mas nós temos a leitoa à pururuca, que como diria o Ronnie Von está irrepreensível, e temos o show do Roberto Carlos também.
Sim, show do  Roberto Carlos pelo You Tube, show da noite de natal, não falei que seria uma noite atípica este ano novo?  E como sempre o Rei cantou os clássicos que marcaram nossa juventude ou nossa vida, sei lá, e entre um gole e outro de vinho, o arroz branco com cogumelos e hortelã era saboreado com a deliciosa e rala farofa de mandioca amarela que trouxemos da Bahia.
Zizi Possi com sua competência cantou com o Rei uma linda musica romântica em italiano, "Non Ti Scordar Di Me", mais um gole de vinho e saboreio a maionese, maionese simples, só batata, cenoura, vagem, maionese, e um detalhe, pequenos cubinhos de maça verde para dar a crocância.
Cantou também com a Marina Ruy Barbosa a musica "Na Paz do Seu Sorriso", onde ela mostrou que se esforça, mas o seu dom mesmo é ser atriz, e muito boa atriz, parecia uma princesa se insinuando para o Rei, que apesar dos seus quase 80 anos parecia um cabeludo de calças jeans da musica "Detalhes", que lógico, não podia deixar de cantar , e não posso esquecer do tender da Irani, sem tender  para ela, não é ano novo, e a  sobremesa foi sorvete de iogurte grego com frutas silvestres.
Não esperei a virada de ano a meia noite, estava cansado depois de um dia de trabalho e o vinho também me ajuda a entrar em Alfa, e como é típico, tinha que levantar cedo para trocar os guardas no supermercado.
Tenho que lembrar que hoje à noite teremos replay, as meninas chegam da viagem e saborearemos novamente estas delicias, e ai a sobremesa será pudim de coco com calda de morango, que eu gosto de encher a boca e falar: fui eu quem fez!


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Correio Elegante

Quando nossos pais eram jovens, existia um negocio que se chamava "correio elegante", não era um aplicativo não, naquela época nem celular existia. Normalmente em festas da igreja, os jovens se reuniam e participavam de brincadeiras, e o correio elegante consistia do rapaz  mandar um bilhete para a garota, que era entregue por alguém encarregado, era a chance de se comunicarem e se conhecerem.
Também se utilizavam do alto-falante da quermesse, então o locutor anunciava que tal música foi oferecida por um rapaz de vermelho, para uma garota de blusa amarela, imagina, todo mundo ficava ouriçado procurando os apaixonados.
Sem falar do "footing", que traduzindo significa "andar à pé", onde as garotas se vestiam com a roupa mais bonita e ficavam dando volta na praça, e dando voltas no sentido contrário ficavam os rapazes, as vezes demorava muito tempo para o primeiro sorriso e o primeiro bate papo.
Os tempos modernos não aceitam essa ingenuidade, hoje tudo tem que ser muito rápido, e os celulares com seus aplicativos auxiliam bastante.
No Facebook temos acesso a fotos e pelo Messenger podemos conversar com facilidade, e essa facilidade levou uma garota a receber uma mensagem de um rapaz elogiando-a e dizendo que ela era muito bonita, perguntou de onde ela era, e ela disse que era de São Paulo. Ele mais que depressa disse que era do Rio de Janeiro e perguntou se podia mandar uma foto.
Ela disse que sim, e pensou logo que se viesse algo indesejado ou pornográfico, bloquearia o rapaz, e quando a foto chegou ela observou que como diz o povo nordestino, ele era muito desabonitado.
Ele se justificou dizendo que era mais bonito, mas ultimamente estava meio caído e por isso estava com má aparência, e ela perguntou o porque dele estar caído.  Ele foi sincero em dizer que estava prêso, cumprindo pena por tráfico de drogas.
Nesse ponto o aplicativo funciona melhor que o método da época dos nossos pais, é rápido em bloquear, deletar e esquecer, e o melhor, contar para os amigos e rir.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Masterchef, palavra da moda.

Ela se orgulhava de ser excelente cozinheira, falava que sua feijoada era única, a bacalhoada não tinha para ninguém, mas o seu forte mesmo era paella.
Nenhum restaurante de São Paulo fazia uma paella igual a sua, para ser mais precisa, a que chegava mais perto era a do Dom Curro, um restaurante especialista em comidas espanholas.
Foram tantas as propagandas que os amigos a intimaram a fazer uma paella onde se reuniriam e tirariam a prova.
No dia combinado quando chegaram à sua casa, a paella já estava pronta, o cheiro era irresistível e a aparência muito boa.
Todos sentaram e provaram a iguaria, e os elogios pipocavam na mesa. Realmente ela sabia fazer esse prato maravilhoso, e entre os comentários alguém disse que era igualzinha a do Dom Curro, senão melhor.
Estava tirada a prova, agora surgiam novos desafios, mas ela deixou claro que só faria outro prato depois que todos também mostrassem seus dotes, e a gente sabe né, que todo mundo sabe fazer algo especial.
No dia seguinte o lixeiro recolhia o lixo na rua, e era acostumado a identificar e analisar as pessoas pelo lixo que jogavam, e foi categórico ao afirmar que naquela casa tinham muito bom gosto, além das garrafas vazias de vinho verde, as embalagens para viagem do Dom Curro se destacavam.
Para a cozinheira não teria problemas se alguém descobrisse sua fraude, ela pensou e pensou e resolveu, que se alguém a desmascarasse ela faria igual as artistas da televisão quando lhes perguntam se seus seios são seus mesmo, elas respondem que são sim, afinal foram pagos por elas mesmo.

O Sermão do Morro

Como seria o Sermão do Monte nos dias de hoje?

Adaptação feita do texto de Humberto de Campos (espirito),  psicografado por Chico Xavier 

O Sermão do Morro

Depois que a televisão e as redes sociais começaram a falar da Boa-Nova, todos os enfermos e derrotados de Corazim, Magdala, Betsaida, Dalmanuta e outras cidades importantes do lago, enchiam as ruas de Cafarnaum em grupos ansiosos.
Os seguidores de Jesus eram muito procurados por estarem em contato constantes com o mestre; Filipe era abordado por doentes, Pedro tinha a casa cercada por pessoas desalentadas e tristes.
Outro grupo de infelizes, num transito infernal, entre buzinas e aceleradas, procuravam Levi em sua rica casa pedindo detalhes sobre o Evangelho do reino para que pudessem também colaborar, e Levi, um intelectual em sua  casa, descartou a ajuda dizendo que Lisandro era aleijado, Áquila foi abandonado pela própria família por serias acusações e Pafos não conseguiria edificar nada com suas aflições.
Somente assim eles cabisbaixos reconheceram suas penosas deficiências, mas as palavras de Jesus diziam que seu amor viera buscar todos que se encontrassem com tristeza e angustia no coração. Quando a van encostou em frente a casa de Levi, os visitantes, Jesus e André, desceram e se puseram em acalorada palestra com o coletor, mostrando detalhes no notebook, quando ingenuamente o coletor comentou o acontecido à alguns instantes.
Jesus, carinhosamente disse que precisamos amar e aceitar a preciosa colaboração dos vencidos do mundo, e se o Evangelho é a Boa-Nova, como há de ser a mensagem divina para eles, tristes e deserdados na imensa família humana?
Os vencedores, donos de fortunas, mansões, iates, jatinhos, não precisam de boas noticias, mas os derrotados ouvem mais alto a voz de Deus.  Os vencedores só tem uma preocupação no mundo, defender o fruto de sua vitória material.
Levi envergonhado se desculpou dizendo que só queria apressar a supremacia do Evangelho entre os que governam o mundo, e Jesus disse que quem governa o mundo é Deus,  e o amor não age com inquietação.
Jesus também mandou imaginar que se os poderosos viessem desejosos em aceitar o Evangelho, se oferecendo para cooperar com nosso esforço, certamente trariam muitos soldados, carros de triunfo, espadas e prisioneiros.
Começariam protestando contra nossas pregações pelas estradas, e por não estarem desarmados das vaidades das vitorias, edificariam suntuosos templos de concreto e com certeza disputariam a ferro e fogo o estabelecimento do reino de Deus, exterminando uns aos outros em seus pontos de vista.
A pretexto de lutarem em nome do Céu, espalhariam incêndios e devastações em toda terra, e seria justo trabalharmos por cumprir a vontade do nosso Pai, aniquilando nossos irmãos?
Jesus continuou dizendo que era imprescindível atentarmos para as almas brandas e humildes dos vencidos, e elas seriam a terra fecundada pelo adubo das lágrimas e das esperanças mais ardentes, onde as sementes do Evangelho desabrochariam para a luz da vida.
André e Levi escutavam de olhos úmidos as palavras de Jesus e chegando Tiago, João e Pedro, tomaram a van e partiram para o morro próximo.
Entre centenas de carros velhos, ônibus e motocicletas estacionados, vendedores de cachorro quente, pipoca e pastel, as pessoas aguardavam Jesus, velhinhos trêmulos, motoboys, lavradores simples e generosos, mulheres do povo com seus filhinhos, cegos, crianças doentes, leprosos e aleijados.
A voz de Jesus caia como um bálsamo eterno sobre os corações desditosos:
-Bem-aventurados os pobres e os aflitos!
-Bem-aventurados os sedentos de justiça e misericórdia!
-Bem-aventurados os pacíficos e os simples de coração!
Falou muito do reino de Deus, e suas promessas pareciam dirigidas ao incomensurável futuro humano, Levi sentiu e compreendeu os que abandonam as ilusões do mundo para se elevarem à Deus, e observou as filas dos humildes que fotografavam e tiravam selfies com o celular, e se retiravam tomados de imenso conforto, e os amigos que o visitaram à tarde desciam o morro abraçados com uma expressão de grande ventura.
No dia seguinte Levi abriu as portas a todos os convivas do dia anterior, e quando Jesus partiu o pão, Levi abraçou o aleijado Lisandro com sinceridade de sua alma fiel, e Jesus disse que o seu coração rejubilava com ele, porque são bem-aventurados todos que ouvem e compreendem a palavra de Deus!


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Caravana 1

O vendaval no dia anterior prenunciava uma experiência diferente, e a insegurança e a expectativa me deixavam ansioso. Nos reunimos no centro espírita para participarmos da caravana de evangelização.
Para alguns dos participantes aquilo já era uma rotina e para outros como eu seria a primeira vez. O passe foi o primeiro passo para oficializar o evento, e logo após veio a leitura do evangelho e o pedido de proteção da espiritualidade para obtermos o intento.
O pessoal foi dividido em alguns carros e partimos para o local, onde famílias nos aguardavam com muito carinho. A primeira casa ficava no fundo de um terreno com muito declive, que para se chegar lá tem-se que descer uma escada estreita e sinuosa em alvenaria e para contrariar o que nos foi informado, era uma casa bem pequena, porem acomodou todos os participantes mesmo que eu não pudesse movimentar os braços. Era uma família feliz, uma mãe e seu filho, um rapaz autista, onde se percebia o amor que existia ali, o rapaz adotado desde bebê já com traços de ser especial, abraçava a mãe constantemente e a beijava. A mãe sorridente comentava amenidades, e o rapaz apesar da dificuldade ainda leu um pequeno trecho do evangelho, via-se que era alfabetizado e segundo a mãe, tinha capacidade de calcular que dia da semana cairia um dia qualquer que fosse informado.
Próximo do local, no mesmo bairro, visitamos a segunda casa, e na cama uma senhora de 91 anos nos aguardava com um copo de agua na cabeceira para ser fluidificado. Com o terço nas mãos e a mente muito vívida conversou com todos, acompanhou o evangelho no lar e identificou as pessoas novas no grupo, agradeceu nossa visita e disse que aguardava a próxima.
A terceira casa ficava bem ao lado e uma professora de inglês e sua mãe de 89 anos nos aguardavam. Talvez fossem os mais espiritualizados dos visitados, acompanharam e agradeceram o evangelho no lar, ficando já marcada a próxima visita. Meus olhos de diabético não deixaram de ver sobre o armário da cozinha um grande vidro cheio de forminhas, e como suspeitei eram para fazer doces, afinal pão de mel era a especialidade da mãe da professora.
Na quarta e última casa que não ficava muito longe no mesmo bairro, fomos recebidos com um pouco de rispidez até que a senhora identificasse os visitantes, e como no local o marido trabalhava consertando um pneu, ela foi convidada a fazer o evangelho em frente a casa próxima.
Depois de reclamar muito da vida e do desgosto que passava pelas dificuldades da filha com o genro sem emprego, nos falou que quando o genro disse que tinha conseguido um emprego, ela logo anteviu que tinha boi na linha, ou seja, o seu negativismo e falta de fé parece que atraíram uma situação que o genro perdeu o emprego mesmo antes de ter conseguido.
Foi orientada pelo dirigente do grupo à orar, ter fé e não querer carregar sozinha o mundo nas costas, ela que já tinha enfrentado tanta coisa na vida e também tinha uma coisa muito boa, o seu netinho.
Voltamos para o centro espírita, e depois de outro passe foi dada por encerrada aquela caravana, já tendo sido programada a próxima, e fomos lembrados por outro dirigente que o que fizemos aquele dia foi o mais próximo que Cristo fez: levar uma palavra de amor para quem estivesse precisando.
E para mim pessoalmente, ficava a satisfação de ter esse amor e poder dar sem prejuízos, e  pelo contrario, tornando meu coração mais rico e mais feliz.