segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Caravana 1

O vendaval no dia anterior prenunciava uma experiência diferente, e a insegurança e a expectativa me deixavam ansioso. Nos reunimos no centro espírita para participarmos da caravana de evangelização.
Para alguns dos participantes aquilo já era uma rotina e para outros como eu seria a primeira vez. O passe foi o primeiro passo para oficializar o evento, e logo após veio a leitura do evangelho e o pedido de proteção da espiritualidade para obtermos o intento.
O pessoal foi dividido em alguns carros e partimos para o local, onde famílias nos aguardavam com muito carinho. A primeira casa ficava no fundo de um terreno com muito declive, que para se chegar lá tem-se que descer uma escada estreita e sinuosa em alvenaria e para contrariar o que nos foi informado, era uma casa bem pequena, porem acomodou todos os participantes mesmo que eu não pudesse movimentar os braços. Era uma família feliz, uma mãe e seu filho, um rapaz autista, onde se percebia o amor que existia ali, o rapaz adotado desde bebê já com traços de ser especial, abraçava a mãe constantemente e a beijava. A mãe sorridente comentava amenidades, e o rapaz apesar da dificuldade ainda leu um pequeno trecho do evangelho, via-se que era alfabetizado e segundo a mãe, tinha capacidade de calcular que dia da semana cairia um dia qualquer que fosse informado.
Próximo do local, no mesmo bairro, visitamos a segunda casa, e na cama uma senhora de 91 anos nos aguardava com um copo de agua na cabeceira para ser fluidificado. Com o terço nas mãos e a mente muito vívida conversou com todos, acompanhou o evangelho no lar e identificou as pessoas novas no grupo, agradeceu nossa visita e disse que aguardava a próxima.
A terceira casa ficava bem ao lado e uma professora de inglês e sua mãe de 89 anos nos aguardavam. Talvez fossem os mais espiritualizados dos visitados, acompanharam e agradeceram o evangelho no lar, ficando já marcada a próxima visita. Meus olhos de diabético não deixaram de ver sobre o armário da cozinha um grande vidro cheio de forminhas, e como suspeitei eram para fazer doces, afinal pão de mel era a especialidade da mãe da professora.
Na quarta e última casa que não ficava muito longe no mesmo bairro, fomos recebidos com um pouco de rispidez até que a senhora identificasse os visitantes, e como no local o marido trabalhava consertando um pneu, ela foi convidada a fazer o evangelho em frente a casa próxima.
Depois de reclamar muito da vida e do desgosto que passava pelas dificuldades da filha com o genro sem emprego, nos falou que quando o genro disse que tinha conseguido um emprego, ela logo anteviu que tinha boi na linha, ou seja, o seu negativismo e falta de fé parece que atraíram uma situação que o genro perdeu o emprego mesmo antes de ter conseguido.
Foi orientada pelo dirigente do grupo à orar, ter fé e não querer carregar sozinha o mundo nas costas, ela que já tinha enfrentado tanta coisa na vida e também tinha uma coisa muito boa, o seu netinho.
Voltamos para o centro espírita, e depois de outro passe foi dada por encerrada aquela caravana, já tendo sido programada a próxima, e fomos lembrados por outro dirigente que o que fizemos aquele dia foi o mais próximo que Cristo fez: levar uma palavra de amor para quem estivesse precisando.
E para mim pessoalmente, ficava a satisfação de ter esse amor e poder dar sem prejuízos, e  pelo contrario, tornando meu coração mais rico e mais feliz.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

E agora José? (6)

Ajude conversando. Uma boa palavra auxilia sempre.

Gosto muito de ajudar as pessoas conversando. Acredito que o grande problema do ser humano quando esta numa situação difícil é se sentir inseguro e achar que é a única pessoa no planeta com problemas. Quando confessamos com o padre por exemplo, ele não pode nos perdoar de nossos erros e o que pode é nos ajudar com algum conselho ou orientação, mas o mais importante é colocarmos o problema para fora, e se o erro é nosso, o  reconhecimento nos traz alivio.
Com um amigo acontece o mesmo processo, você desabafa e ele fala de si próprio ou de outra pessoa que passa ou passou pelo mesmo problema, então nos aliviamos em sabermos que não somos a única vitima, que problemas são comuns a todos os seres humanos.
Existem milhares de exemplos na literatura e no evangelho para mostrarmos e tentarmos copiar.
Uma boa palavra levanta o moral de uma pessoa, o conforta e o consola. Falar com alguém que esta precisando, levando o otimismo me traz prazer e me faz sentir bem.
Por outro lado, não me peçam nada de material, comecei a trabalhar com onze anos e tudo foi muito difícil para mim, portanto não dou esmolas, não dou moedas nos faróis, não dou moedas do troco na Drogasil e nem no Mac Donald. Não confio na campanha "Criança Esperança" e cansei de ver mendigos ganharem cobertores e roupas em dias frios e os abandonar na rua no dia seguinte.
Talvez eu seja desconfiado em excesso, e peço sempre perdão a Deus se eu estiver errando, mas tento ser cristão no dia a dia com meus semelhantes e sempre tenho uma palavra de apoio e um ombro amigo a quem estiver precisando.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Denise

Como toda criança, assim que se entendeu por gente foi procurar o significado do seu nome, e viu que era de origem francesa, uma variação de "Dione" que vem do grego, esposa de Zeus, nome também associado à Dionísio, deus do vinho.
Na adolescência pensava em que iria se formar, várias carreiras passaram por sua mente, mas a que mais a tocou foi a Psicologia, uma carreira que estuda o comportamento humano e os processos mentais, e como Zeus é o deus dos Céus, Raios e Relâmpagos, então ela estudaria  o ser humano na terra, seus raios e relâmpagos emocionais.
É provável que se tivesse escolhido outra carreira seria bem sucedida também em função de ser dedicada e centrada, mas o destino já é predeterminado e nos conduz aos desígnios de Deus.
Mas não bastava a ciência para fazê-la entender o ser humano, queria algo mais, e foi procurar outras respostas na espiritualidade, aliás tanto na ciência como na espiritualidade o estudo será a vida inteira, porque quanto mais sabemos mais percebemos que nos falta muito à saber.
E assim ela segue seu destino orientando e ajudando muitas pessoas, sendo a mãezona e um ombro amigo de quem a procura para um apoio ou esclarecimento.  Mas tal qual o deus Dionísio, ela também gosta de um bom vinho e é um bom papo durante um happy hour.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A vida continua!

Ele chegou aturdido!, caiu em si e viu que estava chegando aos 60 anos de idade, pensando mais concluiu que não viveria mais 60 anos, ou seja, já tinha passado da metade da vida, muito mais da metade.
Os filhos estavam fora do país, agora eram a esposa e ele, e já estava indo para o quase final. Era transtornante, chocante, desesperador. O que fazer?, poderia ficar em casa refletindo nos erros do passado, lamentando o que não fez, a faculdade que queria fazer e não foi possível por algum motivo, a aulas de piano que tanto pensava em um dia fazer;  curtir os netos seria impossível, os filhos estavam no exterior.
Poderia ser diferente, porque Deus fez nossas vidas assim? Você nasce, cresce, educa os filhos, casa os filhos, e de repente tudo se acaba. E não importa se seu trabalho vai ficar na eternidade, não importa se você criou algo que vai beneficiar toda a humanidade, não importa que seu nome será lembrado por muitas gerações, tudo se acaba.
Mas pense bem, imagina a grandiosidade de quem fez essa imensidão do espaço, e mesmo o planeta em que vivemos  que ainda não o conhecemos por completo, será que esse Deus que fez o homem à sua imagem deixaria ele viver um período tão pequeno, fazendo maravilhas, deixando belos rastros e depois morrer e voltar à terra , se decompondo e acabando?
Esse Deus em sua perfeição e justiça permitiria que uma criança nascesse com deficiência física ou mental por um simples capricho? Ou seria para punir a criança ou os pais e os avós, mas punir porque? . Pelo que fizemos em outras vidas?
Pela beleza da obra de Deus, pela perfeição do que nos deu, só se consegue imaginar um Deus justo e bom, além de nos fazer à sua imagem e nos dar o livre arbítrio.
Tudo que é material não se acaba, se transforma, nosso corpo se decompõe mas não se acaba, se incorpora à terra. Será que esta centelha divina que carregamos no corpo vai se acabar ali na morte física, quando o corpo se transformar?
Com certeza não. A vida não acaba ali, e o homem vive tentando entender e mostrar cientificamente o que acontece. Precisamos ter fé, a fé é a mãe da esperança e da caridade.  Mas como? Quem esta com a verdade? , não sabemos, portanto nós é que temos de fazer nossa verdade.
Para fazermos nossa verdade temos que pesquisar e acreditar no que quisermos, para isso temos o livre arbítrio. Então o importante é escolher um caminho, uma religião qualquer, afinal todas as religiões são iguais, só mudam as palavras e os termos que usam, o sentido é sempre o mesmo. E a partir dai fazer o mais difícil: fazer a nossa verdade sabendo que a coisa não acaba na morte, e vamos fazê-la continuar melhor do que esta, e tenhamos fé, nós podemos!


E agora José? (5)


Discuta com serenidade; o opositor tem direitos iguais aos seus

Não sei se é pela minha idade ou por experiência própria, mas me saio muito bem quando discuto com alguém. Normalmente procuro ser educado tentando explicar meu ponto de vista e procurando fazer o opositor entender o que explico.  Também ouço seu ponto de vista e vejo onde ele esta errando para mostrar que ele não esta com a razão.  É importante manter a serenidade e estar com a razão, isto nos mantem calmos mesmo quando o opositor é mal educado.
É importante ouvirmos com atenção e caso constatamos que o opositor esteja com a razão, pedimos desculpas e nos corrigimos, isto podemos fazer sem nos rebaixarmos nem nos humilharmos.
O grande problema de lidarmos com o ser humano, é que as vezes ele não esta com a razão e também não sabe seus direitos, ai onde temos que usar nosso talento e jogo de cintura.
Já passei por uma situação que o opositor não sabia seus direitos, nem como era a lei, e não queria entender minha explicação, então tive que agir como não é do meu costume e como se diz popularmente ganhar no grito. Gritei alto falando no mesmo nível dele, somente assim ele abaixou a cabeça e foi embora.  Vejam, eu não sei os problemas que ele estava enfrentando e não sei como estava seu emocional, pelo jeito estava descontrolado.
Também existe a situação do opositor estar querendo levar vantagem, tirar proveito numa situação, então é preciso falar com serenidade, mas falar firme, sem duvidas para que ele não sinta nossa insegurança.
 

sábado, 8 de setembro de 2018

Sonhando em Bofete

Sonhe, sonhe, saia da Marginal e entre na Castelo Branco. Agora o coração bate mais forte, você passa em Alphaville e vê a pujança da região, sonho de ousados que se tornou realidade.  Logo adiante tem a placa de Araçariguama, e em cima do morro tem um avião cinema, foi o avião dois de Juscelino Kubitschek que agora virou sala de projeção numa cidade que é o portal do interior.
Sonhando você chega em Boituva e vê o céu coalhado de balões e paraquedas, fruto do Centro de Balonismo e Paraquedismo, o maior da américa latina, e pouco depois chega em Tatuí, a capital da música caipira e dos doces caseiros.  Em seguida você avista a cidade de Torre de Pedra, e o que deu nome a cidade é uma imensa torre de pedra feita pela natureza, caprichos de Deus naquela região.
Chegando em Bofete você passa no bairro da Mina, local onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo no Brasil, onde encontraram água sulfurosa e apenas quatro barris de petróleo, hoje sabe-se que o petróleo esta abaixo do aquífero Guarani.  O aquífero Guarani se estende pelos territórios do Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil, sendo na região de Bofete um dos pontos de maior absorção em função do arenito Botucatu e Bauru.
Em Bofete passa a rota do Peabiru, caminho usado pelos Incas que vinham do Peru e queriam alcançar São Vicente no nosso litoral.  Do centro da cidade se vê o Gigante Adormecido, sendo seus pés formados pelas Três Pedras, cheias de mistérios sobre aparições de discos voadores, intenso magnetismo, e antigo templo sumério dos adoradores de Satã, além de estranhas inscrições em cavernas nas proximidades.
Assim, Bofete antes chamada de Samambaia e Rio Bonito, teve seu nome modificado em função do Morro de Bofete, que assim foi chamado por tropeiros que guardavam alimentos em uma gruta neste local, local assemelhado a um buffet de cozinha, palavra francesa que acaipirada se tornou "Bofete"
Bofete é uma das dez cidades que fazem parte do "Polo Cuesta" por ter potencial turístico, e ali a natureza foi pródiga além da energia do local e do povo serem muito boas. 
No largo da Matriz, em frente a paróquia Nossa Senhora da Piedade, de cor azul, você esta à duas horas da terceira maior megalópole do mundo que é São Paulo, e se vê os paradoxos desse lugar maravilhoso, um cavaleiro montado em seu cavalo, que é seu único meio de transporte, veio à cidade comprar suprimentos para levar para o sítio, e do outro lado,  outro cavaleiro com um cavalo de raça, vestido à caráter com chapéu, botina, calça jeans e camisa xadrez ,guardando o celular no bolso e abrindo uma latinha de cerveja.
Sim, aqui é Bofete, pode sonhar à vontade!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Ricardo, o guerreiro

A cegonha apressava Deus para entregar logo o rebento porque era dia do seu rodizio e já estava atrasada. Deus pediu calma dizendo que ainda ia demorar um pouquinho porque para fazer coisa bem feita não se pode fazer de qualquer jeito.
Então Deus perguntou para o Ricardo se ele tinha alguma preferência, o que de imediato ele respondeu que gostaria de ser mecânico.
Deus achou melhor que não, porque em outra vida Ricardo tinha tido um carro e quando a placa estava caindo levou num mecânico para parafusar, coisa fácil de resolver com uma simples chave de fenda, portanto para mecânico ele não tinha vocação.
Então Ricardo disse que poderia ser médico e Deus de pronto disse que ele em outra vida tinha fugido do exame da próstata, consequentemente não teria moral para cobrar esse exame de ninguém.
Deus achou a solução, lembrou que em outra vida Ricardo tinha nascido numa aldeia gaulesa e tinha sido amigo de Asterix e Obelix, ajudando-os a caçar javalis e assar na fogueira, assim o melhor seria Ricardo ser um manipulador de carne, um vendedor de carne para ser mais preciso.
Uma profissão sem limites, que pode vender limões no farol ou pode vender supersônicos para outras nações, uma profissão que não precisa de escola nem de faculdade, mas o essencial e que tenha amor.  Sem amor nem com mil faculdades se atinge o objetivo e é bem sucedido.
Deus também pensou na possibilidade de fazê-lo um rei, mas já tinha feito um na Inglaterra que também era Ricardo e também era guerreiro, e Deus odiava esse negócio de homônimos e também não tinha necessidade de repetir receitas.
O diabo que olhava tudo de espreita pensou que se Ricardo não tivesse sido em outras vidas bom pai e bom filho agora estaria em seus domínios, então estaria ferrado, o faria vender a própria carne, seria Ricarda, uma prostituta!
Mas contra a lei de causas e efeitos não existe escapatória, e se Ricardo tinha sido bom pai e bom filho e tinha feito boas ações, agora estava na tutela de Deus e então seria um vendedor, um grande vendedor, Ricardo, o guerreiro, afinal ninguém pode fugir dos desígnios de Deus.