quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Estorias de Supermercado

Antes do inicio do curso de noivos, os casais orientadores conversavam amenidades,  quando uma pessoa disse que quando morresse queria ser cremada e que as cinzas fossem jogadas no mar.  Entao dai em diante  o assunto foi só esse; outra pessoa tambem queria ser cremada e que as cinzas fossem jogadas no Horto Florestal.
Mas o que espantou todos foi quando um senhor expressou seu desejo de ser cremado e que as cinzas fossem jogadas no corredor de biscoitos do supermercado.
A explicação veio em seguida, ele disse que como toda quarta-feira sua esposa ia no supermercado, e em especial  neste corredor,  sabia que ali ele poderia ve-la sempre.
Como trabalho no supermercado e esta estória chegou aos meus ouvidos e a achei bem interessante, comentei em casa com a esposa e a filha, no que a filha observou que a cremação era o ideal para todos,  e que em algum lugar do mundo estavam enterrando as pessoas em pé,  por falta de espaco físico.  Fui categórico em falar, como trabalhei a vida toda em pé,  quando morrer quero ser enterrado deitado!

sábado, 30 de julho de 2016

A menina e o cão

 
Revolvendo as gavetas, um retrato chama a atenção.  É uma garota com seu cão, a garota com um olhar reflexivo, terno e longínquo, e o cão com uma expressão confiante e protegida.
O tempo apaga tudo, mas esta impressão nunca será apagada, não importa nem mesmo onde estejam, ou com quem estejam.  A imagem foi concebida de modo digital e impressa em papel, habito antigo dos usuários de celular.
É a expressão de um amor incondicional entre um ser humano e o cão, o qual é considerado o maior amigo dos homens.  Não falam a mesma língua, mas cada um expressa seus sentimentos como sabe e pode, e a interação é mais que espiritual.
Qual será a intenção de Deus ao nos dar essa missão de conviver com um filho Seu menos evoluído?  E será que o cão e menos evoluído que o homem?
Eles nos olham ternamente, e mesmo quando gritamos, eles nos lambem com amor, entendem tudo o que falamos e compreendem nossos menores gestos.
Dão a vida para nos proteger e ficam felizes com um simples afago.  Volto o retrato para a gaveta, ele é a prova de mais uma manifestação de sentimento criado por Deus: o amor.
 

sábado, 9 de abril de 2016

Viva a Vida

Toda vez que encontrava meu amigo Dernival o assunto era sempre o mesmo: motos; ele tinha feito até curso de mecânica e como todo motociclista estava sempre descontente com a moto que tinha no momento, na verdade todo motociclista fica arrumando defeitos para vender a moto atual e comprar outra, todo motociclista quer ter todas as motos do mundo.
Naquele dia não era diferente, ele me falava de uma moto que tinha descoberto, era o modelo Scrambler da Ducati, uma moto de 800 cilindradas que serve para andar no asfalto, na terra, algo como nunca tinha visto antes. Argumentei que esta moto deveria custar uns 70 mil reais e ele disse que não, custava 57 mil reais mas pelo fato de ser muito compacta o preço justo seria uns 52. Falou também que tinha trocado uma ideia com uma pessoa no farol que estava montado numa e este lhe disse que já tinha tido mil motos na vida, mas aquela era única, diferente de tudo que conhecia.
Neste clima ele me convidou para tomar um café, e quando íamos falou que tinha ido parar no hospital. Tudo começou quando foi tomar banho e ao lavar o rosto percebeu que entrou sabonete num olho, lavou novamente e novamente entrou sabonete no olho. Ao escovar os dentes, quando foi cuspir o creme dental, não conseguiu cuspir, e simplesmente babou. Neste momento percebeu uma dormência no rosto e resolveu ir para o hospital. Depois de feita uma tomografia computadorizada, o medico constatou que ele tinha um cisto aracnoide na cabeça e teria que ser operado.
Assim ele permaneceu dois dias no hospital se preparando para a cirurgia e pensando na família, esposa e filhas menores. Quando chegou o especialista e analisou seu exame disse que ele iria morrer com este cisto, pois já tinha nascido com ele, e seus sintomas não tinham nada com isso, era simplesmente uma infecção no nervo facial, uma doença chamada de paralisia de Bell.
O medico prescreveu três remédios e mandou ele ir para casa. Depois de me contar esta estória eu comentei, que era estranho ele estar num hospital para operar a cabeça e algum momento depois o medico mandar ir para casa porque não tinha nada, então fui categórico em dizer para ele comprar logo esta tal moto Scrambler.
O destino é engraçado, e menos de um mês depois eu conversando com uma colega de trabalho, ela me perguntou porque eu estava com a boca torta. Fui ver no espelho, e realmente me preocupei.
Liguei para meu amigo e ele disse que a primeira coisa que eu deveria fazer era ir a um medico, e eu fui para o pronto socorro pensando em tudo, poderia ser um derrame, poderia ser um primeiro de outros que poderiam vir. Depois de exames feitos constatou-se que era o mesmo problema do meu amigo, alias uma doença muito comum  e o tempo e a fisioterapia seriam os melhores remédios para cura. Sai do hospital reflexivo, somos muito frágeis, tudo pode acontecer de repente, e mesmo levando a vida com responsabilidade e seriedade, não devemos esquecer nossos sonhos. Portanto que isso seja um aviso, não estranhem eu aparecer dirigindo o jipe Jimny da Suzuki.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sutiã de Vaca

O homem em sua historia sempe se interagiu com os animais,  apurando as raças e moldando-as conforme suas necessidades,  dai a existencia de tantas raças de cães,  de guarda,  de companhia,  e tantas raças de vacas,  de corte,  de leite etc.
Vendo na tv uma reportaem que falava sobre a mastite,  doença comum em vacas leiteiras,  se dizia que muitos produtores davam a alimentação para as vacas apos a ordenha,  evitando assim que elas se deitassem no chão,  o que permitiria a entrada de bacterias pelos tetos ainda abertos.
Muito curioso que sou,  tive a brilhante ideia de criar um sutiã para vaca,  e consultando a internet fiquei triste em ver que a ideia ja tinha sido usada em Oymyakon, na Russia  onde evitava o congelamento do ubere das vacas em temperaturas menores de 64 oC graus.
Pode parecer engraçado,  mas os animais participam de nossas vidas,  muitas pessoas se emocionaram a ponto de verter lagrimas,  inclusive eu, assistindo a doma racional de cavalos por Monty Roberts;  episodios com o Dr Pet são sucesso na tv,  e quem não se lembra do marchand e colecionador Boghici e sua esposa Genevievi,  que apareceram chorando em uma reportagem na tv,  não pela perda do quadro "Samba" de Di Cavalcanti em um incendio, e sim pela morte de uma gata, animal de grande estima.
Dentista para cães,  salões de beleza para cães e gatos,  shampoo e maquilagem par cavalos,  roupinhas de todos os tipos e modelos para os mimos,  teho certeza que se eu inventasse o sutiã para as vacas,  algum estilista inventaria o "tomara que caia" e a "frente unica" para as leiteiras.
Mas tambem existe o lado triste desta relação,  e em muitas cidades do mundo ja é proibido o uso de animais em circos,  no Brasil é proibido a briga de galos,  mas o que entristesse é asistir a pesca esportiva,  onde o pescador fura a boca do peixe com o anzol,  tira-o da agua com uma especie de alicate,  e exalta a propria nobreza em devolve-lo ainda vivo para a agua,  mas o que esperar de seres que lutam UFC e alimentam as gerras em pleno seculo 21 ?
Nao estranharia que as vacas a modelo  dos anos 60 fossem a publico e em sinal de protesto queimassem os sutiãs, e os cavalos arrancassem as ferraduras e jogassem para cima, e torçamos para que não estejamos por perto, porque se caissem em nossas cabeças teriam trazido azar e não sorte! 
  


quarta-feira, 18 de março de 2015

A Festa no Céu

 
Era festa no céu,  festa iluminada à luz de luar; o pisca pisca constante das luzes era tarefa dos vaga-lumes,  a musica cabia à coruja e aos grilos  ja habituados a cantar nas madrugadas.
As pombas,  recepcionistas da festa,  davam as boas vindas aos bichos que iam chegando. O pavão como sempre era quem vinha mais bem vestido com seus brilhos,  a galinha de angola usava sua costumeira roupa de bolinhas.  A cabra entrou esnobando os brincos naturais,  e a zebra usava seu classico traje listrado.
O macaco animava a festa com suas piadas muito engraçadas,  e o leão balançava a juba como se estivesse fazendo um comercial de shampoo.   De repente fez-se silencio,  todos pararam e olharam para a porta,  era o gato chegando,  alisava o bigode e ajeitava a gravata.
Sim,  o que chocou todos era a gravata,  uma gravata cor de coral,  e os bichos eram contra o uso de enfeites artificiais,  inclusive isto ja tinha sido discutido em conselho,  o uso era considerado uma heresia.
Todos concordaram,  o gato com seu pisar macio e bigodes escuros,  era realmente traiçoeiro,  ele estava imitando os humanos.  Os humanos é que usavam tais enfeites,  e todo mundo sabia que  para obter os enfeites os humanos sacrificavam os animais.
Se enfeitavam com as penas da arara e do faisão,  da pele da onça faziam gola de casaco, da pele do jacaré faziam bolsas,  do couro do boi então nem se fala.

Nisto,  todos olhando para o gato,  perceberam que ele estava com os olhos esbugalhados  tentando tirar a gravata.  Qual foi a surpresa,  quando viram a gravata se mexendo,  só ai foram perceber que a gravata,  não era gravata,  era uma cobra coral que tinha aproveitado a vaidade do gato,  e tinha-o usado para entrar na festa,  festa que nunca tinha sido convidada.
Moral da estoria: às vezs a vaidade enforca a gente

domingo, 1 de março de 2015

A Mão

Ele estava com a mão no bolso, a mão direita,  a esquerda engessada não cabia no bolso,  na verdade ele se sentia com a mão atada.  O editor tinha encomendado uma cronica sobre a mão,  era mais uma das manias do editor,  e ele simplesmente tinha dado este tema por ver a mão do escritor quebrada e engessada.  Era angustiante,  poderia escrever uma cronica sobre um chefe de estado mão de ferro,  mas talvez este assunto não fosse interessante nestes tempos modernos de democracia,  hoje um chefe de estado assim estaria na contra mão da historia.
Ele olhava pela janela,  la embaixo uma rua estreita de mão unica,  seu velho carro comprado de segunda mão,  e ele precisando tanto de uma ajuda e ninguem lhe dava uma mão.  Caso sua cronica fosse aceita,  o pagamento viria a calhar,  seria uma mão na roda,  mas ele  não tinha uma opnião   de terceiros formada sobre este seu trabalho,  seu editor estava vendo-a em primeira mão.  Ele achava que não seria tão dificil,  achava que seria bem sucedido,  esta ideia o acompanhava há muitos anos,  desde que aquela cigana tinha lido sua mão e feito esta previsão.  Há ! se fosse famoso,  os editores iriam disputa-lo,  e comeriam em sua mão.  Lamentavel,  o editor saiu da sala com a cronica em uma mão e a outra mão no queixo,  parecia desconcertado,  na verdade recusou a cronica,  e o motivo era que tinha pedido uma cronica sobre a mão,  e a sua não tinha nem pé, nem
cabeça.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O Tamarindeiro

Em visita à parentes no estado do Piaui,  fomos recebidos calorosamente por toda família, e depois dos cumprimentos,  abraços,  risadas,  fomos convidados para ir ficar em baixo de uma arvore muito grande e frondosa,  um tamarindeiro.
Me chamou a atenção o fato de minha esposa correr e abraçar o tronco da arvore,  em seguida suas tias e minha sogra também abraçaram e percebi que ficaram com os olhos mareados de lagrimas.
Não tinha entendido o porque,  quando elas começaram explicar alternadamente passagens de suas vidas que tinham tido como testemunha aquela bela arvore. Quando minha esposa disse que suas tias quando pequenas tinham brincado de casinha la embaixo,  minha sogra disse que ela também tinha brincado,  então perguntei se a arvore era muito antiga e a resposta da minha sogra de 81 anos foi que conhecia a arvore daquele jeito desde que se conhecia por gente.
Assim achei normal quando disseram que crianças de varias gerações tinham brincado em sua sombra,  e era comum varrer o chão e sentar em roda para bater papo,  em momentos de alegria e também momentos de tristeza.
Ali muitos sonhos aconteceram,  sonhos de infância,  de adolescência,  pequenos namoricos e grandes romances,  ali era ponto de referencia, era um lugar querido por todos.
Minha sogra disse que aquela arvore era como se fosse uma parente,  sangue do seu sangue,  tamanho era seu amor por ela,  e não compreendia o porque,  até ter visto uma reportagem numa revista  onde a prefeita de São Paulo, Luiza Erundina,  abraçava uma arvore no parque do Ibirapuera.
Ela se identificou com o gesto da prefeita e começou a pesquisar o que significava aquele gesto que ela mesmo sempre fazia por amor, só amor.   Descobriu que segundo espiritualistas,  os humanos em sua evolução tinham sido minerais,  depois vegetais,  depois animais e por fim hominais, e assim a arvore era nossa irmã na evolução,  neste mundo cheio de mistérios
Descobriu que ao abraçarmos uma arvore,  primeiro devemos escolher uma que com que a gente se afine,  e para que haja troca de energias devemos colocar todo corpo em contato com o tronco, testa, tórax e ventre principalmente.   Devemos colocar os pés na terra e sentiremos como os pés afundassem e criassem raízes,  devemos ouvir os sons da natureza, o canto do pássaros,  o vento nas folhas,  e sentiremos um fluxo de energia correndo por todo nosso corpo.
Nossa energia ruim que são a raiva e o ódio,  serão aterrados e receberemos amor,  carinho,  paciência,  resignação,  compaixão que são características dos elementos naturais.
Assim minha sogra pode entender o amor natural que sentia pelo tamarindeiro e concluiu que Deus faz tudo pelos seus filhos,  ,mas nós em nossa falta de conhecimento  não conseguimos enxergar,  e que devemos respeitar não só nossos semelhantes,  mas toda criação de Deus.
E  quem tiver bons olhos pode ver que Deus consegue mostrar toda sua doçura até com o fruto azedinho do tamarindeiro.